Tipo Importação: o papel do reggae na história da África do Sul
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Tipo Importação: o papel do reggae na história da África do Sul

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Às vésperas das primeiras eleições democráticas da África do Sul depois do fim do Apartheid (regime de segregação racial), em 1994, o Congresso Nacional Africano deu um passo ousado ao reconhecer o reggae e o movimento rastafári como partes decisivas da mudança pela qual o país passava. Em um panfleto distribuído nas grandes cidades, lia-se:

“Saudações! O Congresso Nacional Africano reconhece que os Rastas são parte e parcela das massas oprimidas. Todos sabemos do importante papel que o movimento Rasta internacional teve na luta pela liberdade ao chamar a atenção do mundo com a mensagem de nossa batalha por meio da música”.

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A “arma” musical do reggae começou a ser usada no fim dos anos 1970, quando o regime completava 30 anos (seu início foi em 1948). Seus expoentes iniciais foram artistas jamaicanos que, indignados com o que acontecia com os irmãos sul-africanos, decidiram fazer letras bem diretas contra a segregação institucionalizada. Peter Tosh, com o hino “Fight Apartheid” (1977), e Bob Marley, com “Zimbabwe” (1979), são os melhores exemplos disso.

A adoção do Rasta como base de crenças e estilo de vida pelos jovens sul-africanos negros nos anos 1970 foi parte da contracultura que decidiu não aceitar mais o Apartheid, e o reggae se tornou a expressão cultural desse contexto naturalmente. Depois da explosão dos jamaicanos solidários, veio a primeira onda de artistas locais desafiando a censura e denunciando o absurdo da segregação racial.

Os nomes que mais se destacaram foram Carlos Djedje, Colbert Mukwevho e Lucky Dube, o primeiro artista sul-africano a se apresentar na Jamaica. A popularidade deles se estendeu por todos os anos 1980 e 1990.

Teve também James Mange, líder da resistência e músico de reggae, que inclusive ficou preso com Nelson Mandela e Walter Sisulo na Ilha Robben, onde fazia shows para os colegas encarcerados.

Uma cara nova para o reggae sul-africano

Com a democratização da África do Sul, o reggae passou por uma crise no país: como as letras eram totalmente focadas na batalha política, rolou uma crise de identidade. Sobre o que falar agora?

Na virada para os anos 2000, uma nova geração de músicos sul-africanos encontrou a cara atualizada do reggae local ao usá-lo para denunciar a desigualdade social que ficou de herança maldita do Apartheid. Nas periferias de Joanesburgo e Cidade do Cabo, os negros viviam na pobreza sem receber qualquer compensação pelas décadas de descaso do regime ou mesmo uma atenção básica para a resolução dos problemas que se apresentavam.

Ao público fiel do reggae antigo se uniu uma turma jovem que redescobriu o gênero. 

Hoje, a maior artista de reggae sul-africano é Nkulee Dube, filha de Lucky Dube. Apesar de ser apontada como a substituta do pai – ele foi morto em 2007, aos 43 anos, ao ter o carro roubado em Joanesburgo –, ela prefere levar a vida com mais leveza. Declara repetidamente que não tem interesse em ocupar o posto do pai, que seria algo muito pesado para ela. Mas é inegável que ela herdou do pai a o talento para fazer boa música.

  * Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da África do Sul.   

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