Tipo Importação: Portugal recebe mais de 250 festivais de música por ano
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Tipo Importação: Portugal recebe mais de 250 festivais de música por ano

Este ano, os Arctic Monkeys se apresentaram em Algés. Shawn Mendes foi até Zambujeira do Mar. Joey Bada$$ rimou em Ericeira. Já o Arcade Fire esteve em Paredes de Coura. A presença de nomes do primeiro time do showbiz internacional no interior português não é fortuita. O país tem uma cultura rica e diversa de festivais de música, que não se limitam apenas às zonas urbanas mais adensadas, como Lisboa ou Porto. Só em 2018, foram 274 eventos do tipo, espalhados de norte a sul pelo território luso. Normalmente realizados durante o verão europeu, entre maio a outubro, os espetáculos movimentam o público e a economia dos lugares onde são realizados.

“A importância é de facto enorme pois os festivais intervêm em todas as áreas: marketing, contabilidade, gestão e comunicação”, afirma Ricardo Bramão, presidente executivo da Associação Portuguesa de Festivais (Aporfest), que acredita que o país esteja se consolidando como um destino importante para artistas no cenário global. “Ainda assim, vai ser sempre difícil a comparação com outros mercados. Estamos também numa periferia geográfica e as turnês, salvo exceções, ou começam ou acabam no nosso país".

Mesmo para um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes, os números são expressivos: cerca de 2 milhões de pessoas frequentaram os 249 festivais de música realizados em Portugal em 2016. A tendência é que, em 2018, esta soma seja ainda maior. A Aporfest, responsável por tabular esses dados, trabalha com uma projeção de crescimento, com base em uma tendência já detectada no ano passado. Afinal, de 2016 para 2017, o número total de eventos do tipo já havia aumentado 9,2 pontos percentuais.

O festival português Milhões de Festa, em 2017 / Divulgação
O festival português Milhões de Festa, em 2017 / Divulgação

“Este ano, o número deverá aumentar ligeiramente”, continua Bramão, que encontra explicações para o crescimento significativo. “Esta questão deve-se a um conjunto de fatores: mais apoio e receptividade a nível de organismos públicos para financiamento; melhoria da economia e maior profissionalização da área”.

A própria existência da Aporfest é um indício da profissionalização da área. A instituição foi criada em 2014 e, entre outras coisas, oferece apoio jurídico, cursos de desenvolvimento profissional, apoio logístico e informação, através de pesquisas sobre as características socioculturais do público.

Divulgado em 2016, um estudo da Aporfest revelou os cinco eventos favoritos do “festivaleiro” português. NOS Alive (Algés), Super Bock Super Rock (Lisboa), Vodafone Paredes de Coura, Rock in Rio (Lisboa) e NOS Primavera Sound (Porto) formam a lista de preferidos. Com exceção do festival brasileiro, que aportou na capital lusa em 2004, todos os outros têm, desde o nome, apoio de grandes patrocinadores, como empresas telefônicas e cervejarias. A mesma pesquisa de 2016 revelou que 22 dos 249 festivais daquele ano carregavam o nome de alguma empresa. O investimento se mostra lucrativo, já que os festivais costumam ter grande aceitação por parte do público. Mas a festa não se resume aos megaeventos corporativos. O melhor exemplo disso é o Milhões de Festa, festival organizado pelo selo independente Lovers & Lollypops. Desde 2005, o evento lota as ruas da cidade de Barcelos, no norte português.

O festival português NOS Alive / Divulgação
O festival português NOS Alive / Divulgação

Corporativos ou não, todos eles derivam do mítico festival de Vilar dos Mouros, realizado em 1971. Nos estertores do regime de Salazar, um grupo de lusos apaixonados por música organizou um evento inspirado em Woodstock. Na época, cerca de 30 mil hippies se reuniram nos gramados da freguesia portuguesa para ouvir uma arrebatadora apresentação de Elton John.

O festival inaugurou uma cultura que aumentou ao longo dos anos, sobretudo a partir da década de 1990. Embora olhem com carinho para o simbólico evento realizado há 47 anos, os realizadores de hoje sabem que estão diante de uma nova realidade:

“Estamos noutro contexto esse ponto ocorrido foi único e irrepetível, o efeito surpresa será impossível de repetir” avalia Bramão. “Mas Portugal tem um conjunto de festivais que carregam filosofias próprias que trazem uma valorização do seu público mais do que os artistas que compõem os seus cartazes - Boom Festival, Fmm Sines, Bons Sons, Milhões de Festa são talvez os melhores exemplos”.

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês de estreia do Reverb, apresentaremos ritmos e grupos de Portugal.

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