Tipo Importação: Sidestepper, o embaixador inglês da música colombiana
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Tipo Importação: Sidestepper, o embaixador inglês da música colombiana

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Nome: Sidestepper

Gênero: World music, eletrônica, dance music latina

Desde quando: 1997

Tamanho nas redes sociais: 27 mil no Facebook, 5.5k no Instagram 

Discografia:  “Southern Star” (1997), “More Grip” (2000), o consagrado “3AM (In Beats We Trust)” (2003), “Continental” (2006), “The Buena Vibra Sound System (2008)”

Criada pelo mais célebre dos colombianistas, o produtor britânico Richard Blair, o grupo Sidestepper é pedra fundamental no resgate dos sons colombianos tradicionais e sua modernização com os sons eletrônicos.

O londrino Blair trabalhava no selo de Peter Gabriel, Real World, e produziu artistas como Brian Eno, o grupo Massive Attack e o músico paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan. Chegou na Colômbia em 1992 para visitar a fabulosa cantora Totó la Momposina, com quem havia trabalhado na Inglaterra na produção do álbum “La Candela Viva”. E como qualquer pessoa em sã consciência que bota os pés naquele país, se apaixonou totalmente por sua música e acabou fixando residência em Bogotá.

"Algo que meu ex-chefe Peter Gabriel me ensinou foi que para encontrar sons diferentes o artista deve colocar limitações criativas para buscar como superá-las", disse Richard Blair para o jornal colombiano "El Tiempo".

Já na Colômbia, Blair trabalhou no disco de estreia do grupo de rock alternativo Aterciopelados, “Con el Corazon en la Mano” (1994) e no icônico “La Tierra del Olvido” (1995), do cantor e compositor Carlos Vives.

Com o Sidestepper, que começou em 1997 na Inglaterra como um projeto de DJ que virou banda, Blair lançou cinco álbuns: “Southern Star” (1997), “More Grip” (2000), o consagrado “3AM (In Beats We Trust)” (2003), “Continental” (2006) e “The Buena Vibra Sound System (2008)”. “3AM” rendeu um grande sucesso na Colômbia e Sidestepper ganhou o seu lugar como os criadores de um novo movimento de “batidas latinas”. 

No Brasil foram lançados pela extinta gravadora Trama e tocaram em São Paulo no saudoso Free Jazz Festival de 2001. Fizeram turnês pela Europa, Reino Unido, parte da América Latina, Oceania, Tailândia e África do Sul. Passaram por festivais como o Coachella, Glastonbury, Roskilde, WOMAD e Estéreo Picnic, na própria Colômbia.

Sem formação fixa, vários músicos colombianos já participaram do Sidestepper, como o produtor e compositor Iván Benavides, Kike Egurrola (ex-baterista do Bomba Estéreo), Gloria “Goyo” Martínez (vocalista do ChocQuibTown) e Humberto Pernett. 

Depois de quase dez anos sem lançar inéditas, Blair voltou em 2016 com o elogiado álbum “Supernatural Love”. Para este trabalho convidou Andrea Echeverri (Aterciopelados), Elkin Robinson, Kepe Hyman, Pernett, Urián Sarmiento e Gilbert Martínez para cantar e tocar em suas canções. “Supernatural Love” marcou uma nova era orgânica para o projeto, substituindo as batidas eletrônicas por instrumentos tradicionais.

Sobre a mania do colombiano não olhar para dentro (muito parecida com a dos brasileiros, por sinal), Blair disse ao jornal "Publimetro" em junho de 2018: “tenho repetido por 25 anos que eles não têm que olhar para fora. Aqui eles têm joias e riquezas com profundidade musical e cultural. Já estamos saindo disso, e pode ser difícil para as novas gerações entenderem, mas antes havia um grande complexo de inferioridade que afogava as pessoas. Eu sempre tentei ser um bom embaixador, mesmo para os próprios colombianos”.

Cada álbum do Sidestepper teve uma nova proposta e trouxe um novo som. O projeto do inglês Richard Blair pode não ter feito um sucesso comercial estrondoso, mas suas experimentações abriram portas para muitas bandas que os seguiram, como o ChocQuibTown, Bomba Estéreo e Systema Solar.

 * Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e grupos da Colômbia.   

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