Tipo Importação: Sonoridade globalizada sem perder o charme local marca o pop-rock islandês
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Tipo Importação: Sonoridade globalizada sem perder o charme local marca o pop-rock islandês

Auroras boreais incríveis, gêiseres tão misteriosos quanto lindos e uma produção musical intensa e muito rica. A Islândia é um pequenino país insular no norte da Europa que correria o risco de ficar isolado do mundo, mas conseguiu se tornar relevante na cultura e no turismo graças a essas características.

A música é tão presente na ilha que, de acordo com uma máxima local, seus quase 350 mil habitantes tocam pelo menos dois instrumentos. Há quem diga, ainda, que todos fazem ou já fizeram parte de uma banda ou de uma orquestra – mas talvez isso seja apenas uma liberdade poética para valorizar o passe do país, claro.

O que não é exagero é que, depois de Björk e Sigur Rós abrirem o caminho, há uma cena nacional muito bacana e ativíssima, com artistas e bandas superpopulares entre o público local e que extrapolam as fronteiras para se dar bem fora do país, participando de festivais mundo afora e emplacando músicas em séries de TV como “Game of Thrones”, “Grey’s Anatomy” e “Orange Is The New Black”.

Aqui estamos falando de bandas como Of Monsters and Men, maior expoente da música da Islândia hoje, com seu pop-rock com pitadas de folk islandês. Ou Kaleo, que faz aquele rock gostosinho e fácil de agradar, soa quase britânica em algumas faixas e cresceu mundialmente ao cair nas graças de produtores de séries de TV que acharam suas canções ótimas para pano de fundo de dramas.

Há também quem prefira gravar a maioria das músicas em islandês, caso da banda Valdimar, e chame a atenção de quem curta indie rock em qualquer lugar do mundo, mesmo com a barreira do idioma – a música é uma linguagem universal, afinal de contas. E o ídolo máximo local, Ásgeir, cantor solo de rock que vendeu seu disco de estreia para um quarto da população islandesa e, mirando o público gringo, encarou a missão de traduzi-lo para o inglês.


Mas nem só de rock e suas variantes se faz a música pop da Islândia: a cena eletrônica é superforte e tem um festival para chamar de seu, o Secret Solstice. O top 3 das bandas que representam o estilo hoje em dia são GusGus, que já tem 23 anos de estrada com tecno-house e umas beliscadinhas em lounge music, Vök, que capricha no mix de triphop com sons sintéticos, e Retro Stefson, a que mais flerta com o rock entre elas.

The Sugarcubes, Björk e Sigur Rós: os desbravadores

Se tudo isso rola hoje em dia, cada um destes artistas deve agradecer principalmente a Björk e sua banda The Sugarcubes e também ao pessoal do Sigur Rós. Um pouco de história da música cai bem aqui.

No final dos anos 1980 – mais especificamente em 1986 –, a Islândia foi colocada no mapa do rock mundial com a Sugarcubes, banda liderada por Björk e derivada da KUKL, um supergrupo formado dois anos antes pelo produtor musical Ásmundur Jónsson para um programa de rádio, o Áfangar. A KUKL (algo como “prática da arte da magia” em islandês) fazia rock gótico com mistura de punk e jazz – complexo, né? – e foi encerrada no começo de 1986, quando seus membros sentiram estar “a um passo do insuportável”.

Assim que Björk teve seu primeiro filho, em junho daquele mesmo ano, alguns deles resolveram se reunir e formar a Sugarcubes. A intenção era se divertir, mas a coisa ficou um pouco mais séria quando o selo britânico One Little Indian apostou naqueles islandeses “exóticos” e os lançou na Inglaterra. As atividades da banda se encerraram em 1992 e Björk segue até hoje em uma carreira solo que percorre todos os estilos musicais, além de ter se tornado uma premiada atriz.

A chegada da Sigur Rós ao mundo, em 1994, serviu para conhecermos um rock experimental artístico cantado principalmente em islandês (então tudo bem não conseguir falar o nome dos hits, porque algo como “Við spilum endalaust” não é para os fracos) e para o mundo entender que a Islândia musical era muito mais que Björk e sua turma.

Como provam as bandas de que falamos ali em cima, a cena é ainda maior e só dá sinais de que continuará crescendo cada vez mais.

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da Islândia.

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