Tony Iommi: conheça um segredo de seu som que vem de antes do Black Sabbath, o pedal de volume modificado
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Tony Iommi: conheça um segredo de seu som que vem de antes do Black Sabbath, o pedal de volume modificado

Em termos de técnica, é simples tocar os riffs que Tony Iommi criou para o Black Sabbath. "Iron Man", "War Pigs" e "Paranoid" são o básico dode heavy metal iniciante. Porém, reproduzir o som que o guitarrista inglês conseguia extrair de seu equipamento nos álbuns clássicos é algo bem mais desafiador.

Mesmo os técnicos da Laney — a famosa marca de amplificadores que Iommi usou em toda a sua carreira — tiveram dificuldade para decifrar o cavernoso timbre. "As gravações que ele fez com nossos amps têm uma espécie de 'sub-tom', uma oscilação estranha que ressoa sob as notas. É como um 'tom fantasma', explicou o engenheiro de som e diretor de marketing da Laney, Simon Fraser-Clark, em recente entrevista ao site da "Guitar World".

O "tom fantasma" de Iommi foi descoberto pela equipe da Laney durante o trabalho que a fábrica teve em um novo conjunto de equipamentos com a assinatura do guitarrista. Além de uma nova edição do amplificador LA100 BL, usado pelo Black Sabatth entre 1970 e 1982, a Laney também lançou um alto-falante com as mesmas especificações dos usados por Iommi e um pedal de volume, o TI Boost. "São reedições com o mesmo som dos equipamentos originais", disse Simon sobre o resultado: um trabalho de 18 meses, acompanhado e aprovado por Iommi.

O Laney LA100 BL comprado pelo guitarrista do Sabbath em 1967 era, nas palavras de Simon, "muito, muito tosco". De acordo com o engenheiro, os amps originais eram "supersimples: um único canal e volume muito baixo. Era preciso girar todos os botões até 10 para conseguir ouvir alguma coisa". Ao estudar os velhos modelos para o trabalho de recriação, o engenheiro usou gravações de Iommi como referência. "Tony enviou um monte de faixas, e elas soavam como se estivessem dobradas ou triplicadas, mas todas as gravações continham uma única guitarra. Era o tal do 'tom fantasma', que acontecia quando a saída do amplificador ficava saturada. É como se fosse um eco, quase uma oitava abaixo", explica.

Para driblar as limitações do LA100 BL, Iommi usava um pedal de volume (também conhecido na época como "treble booster") chamado Dallas Arbiter Rangemaster. O equipamento, que reforçava as frequências mais agudas do som, tornou-se célebre nas mãos de Eric Clapton em sua fase na banda John Mayall & The Blues Breakers. Entre 1967 e 1968, o futuro membro do Sabbath tocava em uma outra banda, cujo segundo guitarrista também usava um pedal Rangemaster. "Tony contou que o pedal do outro cara tinha um som melhor que o dele", diz Simon. "Era um Rangemaster modificado. Então Tony pediu para o mesmo técnico alterar o pedal dele e fazê-lo soar igual ao do colega", lembra.

Tony Iommi em um show do Black Sabbath em 1980. Foto: Getty Images
Tony Iommi em um show do Black Sabbath em 1980. Foto: Getty Images

O combo LA100 BL + Dallas Arbiter Rangemaster modificado foi usado por Iommi até 1982, quando o Sabbath substituiu seu técnico de guitarra... e o novo cara jogou todo o equipamento antigo fora. "Quando construímos os novos LA100 para o Tony, ele pediu que refizéssemos o pedal também. E ele disse: 'Eu quero o som do meu velho Rangemaster'", contou o engenheiro da Laney. A solução foi comprar alguns exemplares do antigo pedal e testar modificações até chegar no som exato, reproduzido no novo TI Boost. "Modificávamos os circuitos, testávamos e enviávamos o som para Tony ouvir, e ele dizia 'não'. Até que finalmente acertamos e ele disse: 'É, vou ficar com esse."

O equipamento certo pode ajudar os headbangers amadores a reproduzir o som do Sabbath. Mas é preciso lembrar que o próprio Iommi não desenvolveu sua técnica de um dia para o outro. Aos 17 anos, ele sofreu um acidente de trabalho com uma máquina de cortar metal; as pontas dos dedos médio e anular da duas mãos foram decepadas. Inspirado no grande guitarrista de jazz Django Reinhardt (1910-1953), que perdeu dois dedos mas não deixou de tocar, ele adaptou seu estilo às limitações físicas. Passou a afinar a guitarra em tom mais grave, para não precisar fazer tanta força ao pressionar as cordas, e especializou-se em "power chords" - os acordes simplificados em quinta que são a marca registrada do rock pesado. Ele plugou sua Gibson SG Special 1964 (apelidada de "Monkey") no amp Laney e... o resto é história.

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