Tony Iommi revisa trajetória de superação contra o 'você não pode fazer isso' e homenageia seus herois da guitarra
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Tony Iommi revisa trajetória de superação contra o 'você não pode fazer isso' e homenageia seus herois da guitarra

Tony Iommi diz que, atualmente, a "pergunta de um milhão de dólares" para ele é sobre seus próximos projetos. Ele revela ter composições e uma boa quantidade de riffs prontos que, inclusive, mandou para Brian May. O amigo guitarrista do Queen o incentivou a fazer um álbum, mas o guitarrista do Black Sabbath ele ainda não se decidiu. A única certeza é que não se envolverá em turnês.

Em uma entrevista ao site "Guitar World", Tony Iommi contou sobre o início da carreira, influências, amizades e também como enfrentou o descrédito das pessoas depois do acidente em que perdeu a ponta de dois dedos da mão direita — o que não seria problema se não fosse o fato de Tony ser canhoto e sua mão direita trabalhar no braço do instrumento.

Tony Iommi ganhou uma guitarra 'signature', reproduzida de sua 'Monkey'. Foto: Getty Images
Tony Iommi ganhou uma guitarra 'signature', reproduzida de sua 'Monkey'. Foto: Getty Images

Tony acaba de ser homenageado pela Gibson com a recriação de sua SG Special "Monkey" modificada. "Eu tinha uma jaqueta que usava o tempo todo porque não tinha dinheiro para comprar outras. Eu queria torná-la um pouco diferente para o palco, então comecei a colocar estrelas de metal e outros enfeites. Então eu encontrei esses macacos e pensei: 'Vou colocar alguns deles e também um na guitarra. Então ela ficou conhecida como a guitarra Monkey", conta Tony sobre a origem do apelido. Confira alguns dos melhores momentos da entrevista do guitarrista:

Black Sabbath, um grupo de esquisitões

Eu já havia tocado em uma banda de blues com Bill Ward antes. Então, quando nos reunimos com Oz (Ozzy Osbourne) e Geez (Geezer Butler) — já tinha tocado guitarra, mas nunca baixo —, foi uma combinação estranha. Bill e eu costumávamos tocar em um clube em Birmingham em noites com quatro ou cinco bandas. Geez tocava em uma dessas outras e parecia louco de ácido, subindo pelas paredes. Não poderíamos imaginar, nem por um minuto, que acabaríamos tocando com ele. O Ozzy, nós estudávamos na mesma escola e eu nem sabia que ele era cantor. Quando nos reunimos, aprendemos apenas músicas de 12 compassos e, no primeiro show que fizemos, eu nem sabia o que eles iriam vestir. Geezer entrou com um vestido longo hippie, eu, com minha jaqueta de couro e Ozzy com uma torneira em volta do pescoço. Éramos um grupo estranho, mas isso nos uniu e funcionou."

Ozzy Osbourne e Tony Iommi em um show do Black Sabbath em 1969. Foto: Getty Images
Ozzy Osbourne e Tony Iommi em um show do Black Sabbath em 1969. Foto: Getty Images

Caminho das trevas: 'transformar pessoas em peixe'

"Eu e Geezer sempre gostamos de filmes de terror e coisas assim. Nós tínhamos esse interesse no sobrenatural. Víamos como as pessoas ficavam assustadas e com esse tipo de emoção com filmes de terror, e pensamos que seria bom fazer isso na música. E foi assim que aconteceu, tentando criar algo na música com luz e sombra, um pouco assustador. De acordo com muitos, assim foi o Black Sabbath. É claro que, por um tempo, não conseguimos encontrar ninguém para conversar, porque as pessoas achavam que íamos transformá-las em um peixe ou algo assim. A má reputação só crescia."

ony Iommi e Geezer Butler nos anos 1980. Foto: Getty Images
ony Iommi e Geezer Butler nos anos 1980. Foto: Getty Images

Na luta ferrenha contra o 'você não pode fazer isso'

"Eu costumava desmontar as guitarras para fazer algumas adaptações, tentando melhorar o instrumento. Eu tinha ideias, mas ninguém estava interessado. Eu queria, por exemplo, uma guitarra de 24 trastes, e me diziam que não era possível. Um dia alguém recomendou o John Birch (1922-2000, renomado luthier inglês) que de cara disse que tentaria fazer a guitarra do jeito que eu queria. Então começamos a experimentar os captadores nos shows. Ele tinha que fazê-los manualmente, então eu saía e voltava, dizendo: 'Não, não está certo.' E ele fazia outro, e mais outro, até chegarmos a um confortável. Eu tentei de tudo para facilitar para mim, por causa dos meus dedos. Ter trastes altos era desastroso porque eu uso dedais: eles são duros, não são como a pele deslizando. Então, eu coloquei um acabamento no braço da guitarra, para que a mão corresse mais facilmente.

Eu experimentava essas adaptações e novidades o tempo todo porque sempre ouvia: 'Você não pode fazer isso'. 'Guitarra de 24 trastes? Não seria harmonicamente correto'. 'Você não pode usar cordas leves'. E sim, eu podia, já havia feito minha própria montagem. Mas eu constantemente tinha que lutar com pessoas dizendo que eu não teria capacidade para aquilo. Então, eu acabava encontrando pessoas para fazer, como foi com o amplificador. Eu tinha um Rangemaster e queria modificá-lo e conheci um cara que retirou e colocou componentes diferentes, modificando o som, enquanto empresas diziam que não podiam fazer as alterações. Eu sempre tive determinação para tentar fazer alguma coisa funcionar e ir contra todas essas pessoas que dizem: 'Você não pode fazer isso'."

Tony Iommi tocando uma Gibson  em 1983. Foto: Getty Images
Tony Iommi tocando uma Gibson em 1983. Foto: Getty Images

Acidente: determinação diante do descrédito

"O mesmo aconteceu com o meu acidente, quando diziam que eu não poderia mais tocar guitarra. Simplesmente não aceitei isso e pensei que tinha que haver outra uma forma. Isso me fez descobrir uma maneira própria de tocar. E o mesmo com a música: 'Você não pode tocar esse tipo de coisa, nunca vai vender e não vai fazer nenhum bem'. Antes do acidente, eu podia tocar acordes regulares como todo mundo, mas depois, tive que pensar em jeitos diferentes porque não conseguia tocar o acorde da maneira 'certa'. Eu costumava aumentar o som e tirar o máximo proveito da guitarra, daí todos as modificações que eu fazia. Foi realmente uma luta ouvir e enfrentar todas as pessoas, inclusive meus pais, dizendo que eu nunca seria capaz de tocar e que deveria arrumar um emprego adequado."

Tony Iommi em 1969: acidente com os dedos não o deixou desistir de tocar guitarra. Foto: Getty Images
Tony Iommi em 1969: acidente com os dedos não o deixou desistir de tocar guitarra. Foto: Getty Images

Passagem 'de passagem' por outro dinossauro do rock

"Eu nunca tive medo de sair da minha zona de conforto. Eu faço a minha parte, mas se você me jogasse nos Eagles, por exemplo, eu diria 'Ô, meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?' Meio como com o Jethro Tull, com quem toquei por um breve período, depois de Mick Abrahams e antes de Martin Barre. Nós abrimos alguns de seus shows, e eles me perguntaram se eu me juntaria a eles. Quando recebi uma ligação do escritório deles eu fui mas quando cheguei tinha uns 50 guitarristas. Eu disse: 'Deus, o que está acontecendo?' Porque eu pensei que seria apenas eu e já ia embora quando um cara veio correndo atrás de mim dizendo para eu não ir porque falariam comigo no final.

Me ofereceram a vaga, o que foi bom e ruim, porque me senti muito triste pelos outros. Quando fui tocar com eles, levei Geezer comigo e ficava dizendo que não estava confortável com isso'. Quando eu disse a eles que aquilo não era para mim', eles falaram sobre o 'The Rolling Stones Rock And Roll Circus' (especial de TV qe reuniu, em 1968, The Who, Marianne Faithfull, Jethro Tull, John Lennon, Eric Clapton, Keith Richards e outros) e que precisavam de alguém rápido para a apresentação. Aí eu topei e conheci John Lennon e todo mundo."

Ian Anderson, do Jethro Tull, no  The Rolling Stones Rock And Roll Circus. Foto: Getty Images
Ian Anderson, do Jethro Tull, no The Rolling Stones Rock And Roll Circus. Foto: Getty Images

Hank Marvin e outros 'guitar heroes'

"Eu e Brian May amamos Hank Marvin (legendário guitarrista inglês, 78 anos, astro do pioneiro grupo The Shadows). Nós fizemos algumas coisas, tocamos juntos em álbuns e uma vez estávamos no estúdio e começamos a tocar coisas dos Shadows. Então era principalmente Hank, depois Chuck Berry e um pouco de Buddy Holly. Eu gostava de Eric Clapton, de John Mayall. Essa formação era realmente atraente. Quando ele foi pro Cream, eu não fiquei tão entusiasmado inicialmente. Mas depois me acostumei e amei o estilo e o som dele. Mas você tinha bandas como The Moody Blues, Fleetwood Mac. E aí vieram Deep Purple, Led Zeppelin e nós. Conhecíamos John Bonham (1948-1980, baterista do Led), que foi padrinho do meu primeiro casamento. Costumávamos tocar nos mesmos clubes e ele chegava contando 'Eles me demitiram. 'O que aconteceu?' 'Eu toco alto demais'. E então ele ia para outra banda, e era pelo mesmo motivo. Vivia entrando e saindo de bandas. Eu gosto muito do Eddie Van Halen também. Nós levamos o Van Halen para sua primeira grande turnê e eles ficaram com a gente por oito meses. Eddie estava tocando coisas que eu nunca tinha visto e acabamos nos tornando amigos."

Hank Marvin: influência para Tony Iommi e Brian May. Foto: Getty Images
Hank Marvin: influência para Tony Iommi e Brian May. Foto: Getty Images

Projetos novos — euma esnobada famosa

"Bem, essa é a pergunta de um milhão de dólares. Eu tenho um monte de coisas, mas vivo dizendo ao meu empresário que quero fazer tudo corretamente. Eu gostaria de gravar algumas delas, só o que sei é que não será com uma banda para fazer turnês. Na verdade, Brian May apareceu outro dia e eu dei a ele quatro ou cinco CDs de riffs. Ele disse: 'Você precisa fazer um álbum, grave-os assim mesmo'. Eu disse: 'Não, eu não', não quero fazer isso. Eu quero gravar da melhor forma. Seria ótimo ter pessoas de quem eu gosto participando, como no álbum de 2000, em que tive Dave Grohl, Billy Corgan e todo tipo de músicos. Eu fico um pouco envergonhado ao lembrar que quando me disseram que um cara queria participar, eu perguntei 'Mas quem diabos é ele? Ah, não". Era o Eminem. Eu recusei algumas pessoas que se tornaram muito famosas depois, mas na época eu não tinha a menor ideia de quem eram."

Tony Iommi e Brian May. Foto: Getty Images
Tony Iommi e Brian May. Foto: Getty Images

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