Tradicional canto 'de garganta' esquimó encanta em vídeo selecionado para festival Sundance
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Tradicional canto 'de garganta' esquimó encanta em vídeo selecionado para festival Sundance

Selecionado para o festival de Sundance e o Festival Internacional de Curtas de São Paulo de 2019, um curioso filme de pouco mais de três minutos vem encantando o público. "KATATJATUUK KANGIRSUMI (Throat Singing in Kangirsuk)" mostra o canto de garganta, uma tradição esquimó considerada patrimônio cultural.

Cena de abertura do curta que mostra a tradição esquimó de canto 'de garganta'. Divulgação
Cena de abertura do curta que mostra a tradição esquimó de canto 'de garganta'. Divulgação

O curta abre com Eva Kaukai e Manon Chamberland, os cantores, ao longe, numa paisagem tão branca de neve que chega a ofuscar. Eles entoam os primeiros sons de algo que, na verdade, é mais um jogo do que um canto. Nele, os concorrentes não buscam nem o estrelato e sim desafiar a si mesmos e se divertir durante as longas noites de inverno.

Evie Mark, cantora de garganta, costureira e cineasta de Nunavik, que mora em Montreal, no Canadá, diz que aprendeu com os avós o significado cultural do canto da garganta. "Quando os maridos saíam para caçar, as mulheres se reuniam quando não tinham o que fazer para se divertir com o canto de garganta", conta Evie, sobre uma das origens da tradição onde uma pessoa fica de frente para outra e vão criando ritmos. A que segue a líder tem que ir preenchendo lacunas. "O canto da garganta é uma técnica muito precisa, além de ter um ouvido muito bom, é preciso seguir visualmente o que o outro está fazendo", explica.

O canto da garganta exige o uso de muitos músculos no diafragma para inspirar e expirar. "Você precisa se concentrar nos pulmões ou no diafragma. Se você canta usando principalmente respiração, vai hiperventilar, ficar tonto e até danificar a garganta", avida Evie.

O curta estrelado pelos jovens de Kangirsuk, no norte de Quebec, tem um único diálogo, em que eles brincam dizendo não poder rir para não estragar o jogo. Registrado na maior parte a partir de um drone, o filme mostra as incríveis paisagens do Ártico, ora num branco ofuscante, ora com a vegetação à mostra, e o pequeno povoado de 394 habitantes.

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