Treze mil fãs batem cabeça em casa durante transmissão de show da banda de metalcore Code Orange em um teatro vazio
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Treze mil fãs batem cabeça em casa durante transmissão de show da banda de metalcore Code Orange em um teatro vazio

Qual a imagem que se tem de um show de hardcore, ou mais especificamente metalcore? Uma grande roda de pogo, cabeças batendo, integrantes das bandas pulando no meio da plateia e outros tipos de interações extremas. Mas e em tempos de coronavírus? A Code Orange, que precisou cancelar o show de lançamento de seu novo álbum no dia 14/3, deu um jeito de se aproximar de seu público, mesmo por streaming. E deu um passo além da transmissão on line, algo já comum no meio artístico, com um show enérgico pelo Twitch.

A banda punk hardcore americana lançou o álbum "Underneath" no dia 13 de março e tinha o show de lançamento marcado para a noite seguinte no Roxian Theatre em Pittsburgh, Pensilvânia, EUA. É claro que a apresentação foi cancelada, mas a banda decidiu fazer o show, mesmo diante de uma casa de shows vazia, e transmiti-lo ao vivo.

O Code Orange fez show para plateia vazia em Pittsburgh e transmitiu pelo Twitch. Foto: Getty Images
O Code Orange fez show para plateia vazia em Pittsburgh e transmitiu pelo Twitch. Foto: Getty Images

Até aí, a Code Orange não estaria apresentando nenhuma novidade, pois muitos locais estão se voltando para a transmissão ao vivo, já que os clientes não podem comparecer pessoalmente. Só que a banda tinha uma proposta diferente sobre o formato da transmissão. Eles escalaram o cinegrafista e cineasta veterano Sunny Singh, que tem um extenso arquivo de concertos de punk, heavy metal, hardcore e outras bandas alternativas em seu site "Hate5Six". "Este projeto representa a redistribuição de vídeos de música ao vivo de alta qualidade em uma estrutura anticapitalista. No seu cerne, a música é a comunicação de ideias através do ritmo e do som e a introdução de dinheiro na equação invariavelmente oculta essa conexão. Em uma época em que a taxa de rotatividade na comunidade é surpreendentemente alta, este site serve como veículo para preservação e posteridade", apresenta seu projeto no site.

Alguns locais têm configurações para transmissão ao vivo já instaladas, mas geralmente são câmeras grande angular fixas, posicionadas em ângulos seguros projetados para capturar a cena inteira. Para filmar o show, Sunny usou uma série de seis câmeras, incluindo duas Canon no estilo de filmadora de mão no palco para se aproximar e adicionar movimento à cena. "Se íamos fazer isso, pensamos que estabeleceríamos um padrão e tentaríamos mostrar às bandas o que você pode fazer sem um orçamento enorme", disse ele ao "Popular Science".

“Chegamos às 11h da manhã e passamos o dia todo fazendo testes, inclusive de velocidade da internet e certificando-me de que o sinal não estava caindo", conta o cineasta, lembrando que às vezes as imagens parecem ótimas internamente, no entanto, na hora de divulgá-las ao público, pode não ser tão simples.

Além da performance enérgica do guitarrista, tecladista e vocalista Eric "Shade" Balderose, da guitarrista e vocalista Reba Meyers, do baterista e vocalista Jami Morgan, do baixista Joe Goldman e do guitarrista Dominic Landolinade, o visual foi enriquecido por vídeos pré-produzidos sobrepostos, iluminação, fumaça e outros efeitos. "A banda estava totalmente comprometida. Eles foram lá e tocaram como se a sala estivesse lotada", diz Sunny. Na realidade, havia cerca de 20 pessoas em um local que costuma acomodar de 1.500 a 2 mil fãs.

No roteiro do show, a banda apresentou as novas faixas que falam de assuntos comuns a bandas de metal e punk, como desconexão e relacionamentos disfuncionais, e também reflexões sobre a vida moderna, mediada por via digital (e o vício em smartphones). "Particularmente boas são 'The Easy Way' e a faixa-título, ambas remanescentes do pop chiclete do Nine Inch Nails. No rock, o brilho técnico às vezes pode impedir o imediatismo, mas o Code Orange o usa para obter onipotência total e emocionante. Eles são um lembrete de que a música visionária nunca usa uma etiqueta de gênero", publicou o "The Guardian" sobre o novo disco da banda.

A transmissão foi feita pelo serviço de streaming Twitch e foi um sucesso. Mesmo antes de começar a apresentação, já tinha uma fila na sala de espera. Foram mais de 13 mil espectadores simultâneos sintonizados durante a transmissão ao vivo. Nesta terça-feira (17/3), quase 61 mil pessoas já haviam assistido ao show da banda, que foi fundada em Pittsburgh em 2008. Uma versão de qualidade melhor será lançada em breve no YouTube.

Em contas prime, o Twitch permite que os streamers recebam valores por doações e assinaturas, através de uma taxa mensal. Isso pode ser uma grande ajuda para compensar os artistas que vêm perdendo receita por não poder fazer seus shows. Além disso, há uma grande quantidade de turnês nas lojas on-line das bandas.

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