Trilhas sonoras escritas com inteligência artificial prometem sacudir a indústria da música
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Trilhas sonoras escritas com inteligência artificial prometem sacudir a indústria da música

Uma caneta, um papel e um compositor que saiba transformar palavras soltas em poesia. Parece um processo rústico de se fazer música — e é. Entre as faixas mais tocadas da atualidade, uma boa parte delas foi criada em "fábricas de hits", feitas por muitas mãos de homens e mulheres organizados em "campings musicais" ou em dinâmicas criativas bem menos simples do que antigamente. E, como se não bastasse, no meio disso tudo, também está a inteligência artificial.

Empresas de tecnologia como a MXX investem em programas que ajudam artistas a compor. É de criação da companhia um software que permite que o usuário edite suas faixas de forma imediata para que elas se adequem a imagens de vídeo pré-gravadas.

"Existem duas formas de inteligência artificial: aquela que veio para nos substituir e aquela que veio para nos empoderar. Nós estamos no segundo grupo. Não é sobre computadores substituírem músicos ou editores. Nós acreditamos no processo criativo", afirma Ken Lythgow, chefe de desenvolvimento de negócios na MXX, em entrevista ao "Guardian". Para o executivo, tanto a indústria quanto os consumidores querem basear suas experiências musicais de acordo com suas experiências, sejam elas no dia a dia de exercícios, em jogos virtuais ou em outras atividades.

A MXX foi fundada em 2015 por Philip Walsh e Joe Lyske, ambos especialistas em inteligência artificial mas com formações diferentes. Enquanto Philip vem de uma formação de finanças, Joe era compositor. Parte de sua pesquisa para o projeto incluiu gerar uma ferramenta capaz de criar partituras para trilhas sonoras de filmes que fizeram metade dos compositores profissionais participantes acreditar que a obra havia sido pensada por colegas de profissão.

A tecnologia usada pela MXX "ouve" músicas e cria metadados a partir da compreensão daqueles arquivos. Esses dados mostram onde as músicas podem ser editadas, assim como o que partes delas podem significar para o ouvido humano, como "criar tensão", "clímax" ou o que seria um refrão ou um simples verso. Quando o usuário indica que tipo de música ele quer, o software é capaz de editar a faixa original para que o resultado se encaixe no briefing destacado. Esse tipo de tecnologia é muito requisitado por agências de publicidade, desenvolvedores de jogos e outros produtores do mercado.

"Há 400 mil horas de vídeos que sobem no YouTube a cada 60 segundos. Não há profissionais o suficiente no mundo que consigam editar e mixar todo esse conteúdo sozinhos", explica Joe.

A Melodrive é outra empresa que atua na área de inteligência artificial e música. Sediada em Berlim, ela usa inteligência artificial para gerar trilhas sonoras para jogos de realidade aumentada e videogames em geral. Tudo em tempo real e de forma automática, otimizando a experiência do jogador e dando a ele uma trilha sonora condizente com seu ritmo de jogo. "Estamos criando formas de ser mais criativos e isso em nada se difere da evolução do piano para coisas como softwares de gravação e produção", diz Valerio Velardo, CEO da companhia, também ao "Guardian".

"Inteligência artificial e música tem um caminho de crescimento longo à frente. Muitas startups têm atraído investimento nos últimos anos e há também um direcionamento nesse sentido em empresas como a Sony, Google, Spotify, IBM e Facebook. Isso não deveria ser uma surpresa", explica Craig Hamilton, pesquisador no Birmingham Centre for Media and Cultural Research, na Inglaterra.

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