Tudo Tanto: A explosão de sons do Iconili, big band mineira que se destaca na música instrumental
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Tudo Tanto: A explosão de sons do Iconili, big band mineira que se destaca na música instrumental

A música instrumental brasileira vem passando por uma transformação que a tira de antigos nichos, como o choro e o jazz, para alcançar públicos cada vez maiores, abraçando influências de outras sonoridades mundiais, da música eletrônica ao afrobeat. Um dos bons exemplos desta nova mentalidade é a big band mineira Iconili, que lança nesta sexta-feira, seu terceiro disco, "Quintais".

O grupo existe desde o início da década e é formado por nada menos que onze músicos. São eles André Orandi (teclados e sax alto), Chaya Vazquez (percussão), Gustavo Cunha (guitarra e synth), Henrique Staino (sax tenor e soprano), Josi Lopes (voz), João Machala (trombone), Lucas Freitas (sax barítono e clarone), Fernando “Feijão” Monteiro (bateria), Rafa Nunes (percussão), Rafael Mandacaru (guitarra e teremim) e Willian Rosa (baixo). As novidades do novo álbum vêm pelo fato de eles terem conseguido gravá-lo com melhores condições financeiras e pela entrada de três novos integrantes, a vocalista Josi Lopes (que mesmo com sua voz e brilho no palco consegue manter a natureza instrumental da banda), a percussionista Chaya Vazquez e o baterista Mateus Bahiense (este último já substituído por Feijão).

Não vamos descansar até rodar esse mundão todo! Energia nós temos de sobra

"Nos últimos anos o Iconili mudou muito, tanto em sua formação quanto na instrumentação", explica o guitarrista Rafael Mandacaru. "Como nosso processo de composição é totalmente colaborativo e horizontal, qualquer mudança é refletida em nossa sonoridade. Os novos integrantes trouxeram novas ideias, novos ares e os novos instrumentos mudaram o timbre que já era característico do grupo", diz.

"Com a nova formação tivemos a oportunidade de trocar musicalmente com a Josi, nova integrante da banda e detentora de uma voz e presença muito poderosa”, continua o outro guitarrista, Gustavo Cunha. "Ela vem com influências do congado, da música afro-mineira, do afrofuturismo, do tambor e da canção. A mistura de Josi e Iconili gerou algo completamente novo para a banda." Para ele, além de Josi, outras duas chegadas deram novos tons ao grupo: a da percussionista Chaya, que solidificou os timbres e ritmos, além de Mateus Bahiense, que compôs e gravou as baterias “com muitas nuances e um groove firme".

'Quintais': Álbum traz nova sonoridade da big band mineira Iconili
'Quintais': Álbum traz nova sonoridade da big band mineira Iconili

A realização do disco com melhores condições também deixou o grupo mais à vontade. "Pudemos montar a equipe dos sonhos e gravar com calma e atenção aos detalhes. Fizemos duas imersões sendo uma no campo, em André do Mato Dentro, região ameaçada pelas garras das mineradoras, e outra na cidade, em Belo Horizonte, nosso lar. Estruturamos todas as músicas, estudamos timbres, entendemos a presença da voz e montamos uma obra muito conectada com nossos interiores e origens que, apesar de diversa, se funde através da música. O som do disco ficou mais claro e definido se comparado aos anteriores. Queríamos mostrar nosso som com claridade, potência; sair da mixagem nebulosa e distorcida foi bem interessante", conta Cunha. O resultado é um disco cheio de texturas rítmicas e melodias entrançadas, aproximando o nordeste brasileiro da África central, o Oriente Médio da Jamaica, a surf music da música do Saara. O grupo lança o disco ao vivo no dia 31 de maio, no Sesc Palladium de Belo Horizonte e também planeja o lançamento de uma versão física em vinil.

Mandacaru comenta as transformações na cena instrumental brasileira, que, segundo ele, "sempre conseguido abraçar um público maior". "Um termômetro disso é o surgimento de tantos projetos que não se apoiam na voz como único protagonista e levam o ouvinte para um mergulho de sensações únicas", exemplifica. "O jazz é um grande responsável por essa representatividade e talvez seja o maior nicho da música instrumental, mas acreditamos que a diversidade é chave para o surgimento de novas ideias e a evolução sonora. O casamento das diversas vertentes faz surgir projetos incríveis como por exemplo a Orkestra Rumpilezz, guiada pelo talentoso Letieres Leite".

As dificuldades que o grupo encontram não dizem respeito especialmente em relação à natureza das músicas, mas pelo fato de serem uma banda enorme. "Isso dificulta muito fazer uma longa viagem, ou conseguirmos o cachê adequado para cada músico e membro da equipe, mas na maioria das vezes encontramos uma solução positiva", continua Cunha. "Já fomos para o México, Argentina, e no Brasil circulamos por Belém, Rio, São Paulo, tocamos no Festival Psicodália em Santa Catarina, fizemos cidades do interior e não vamos descansar até rodar esse mundão todo! Energia nós temos de sobra".

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