Tudo Tanto: a 'Noite Vazia' de Thiago Pethit
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Tudo Tanto: a 'Noite Vazia' de Thiago Pethit

“Criar é sempre uma corda bamba entre o prazer e a frustração”, me explica o cantor e compositor paulistano Thiago Pethit, que começa, nesta sexta-feira a mostrar seu próximo álbum, “Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)”. Isso a partir do suntuoso single de “Noite Vazia”, primeira amostra de seu trabalho ao lado do produtor Diogo Strausz, que traz o piano do pernambucano Zé Manoel, além de arranjo de cordas do próprio Diogo.

“Porque primeiro temos essa ideia, essa idealização e suposição do que gostaríamos — e ela é perfeita”, continua. “Mas então a gente leva um tempo tentando chegar nela. Erra, acerta, erra mais do que acerta. Tem horas em que você sente que se afastou demais do que queria, e dá vontade de desistir, você se sente um fracasso. Cada decisão significa que você abandonou outras milhões de decisões. E então você começa a olhar de outros jeitos, redimensionar essa projeção e esse desejo inicial e vai se contentando com os pequenos avanços. Até que toma forma e você passa a gostar do que está acontecendo”.

Tudo isso para justificar uma período de cinco anos sem lançar nenhum novo disco. Seu trabalho mais recente, seu terceiro álbum "Rock’n’Roll Sugar Darling", saiu no final de 2014 e emendou tanto com a estreia no cinema (no filme "Amores Urbanos", de Vera Egito, de 2016) quanto com sua homenagem a Patti Smith, encarnando o espírito rock da mãe poesia do punk em shows em 2017.

Sempre desejei ter esse tempo para elaborar meus trabalhos. Gostaria que tivesse sido assim das outras vezes, mas sabemos que sendo músico independente, tomando conta de quase todas as áreas de produção e sustentação financeira, é difícil

'Mal dos Trópicos' é meu disco com maior tempo de maturação”, reflete. “Foram oito meses de gravação em 2018 e quase um ano de composição e criação das músicas, entre 2017 e 2018, e acredito esse tempo esteja refletido no que poderá ser ouvido. Foi o tempo necessário, creio. Uma forma de acessar outras camadas pessoais, outras lógicas: o tempo também permite que a gente possa se experimentar mais. Sempre desejei ter esse tempo para elaborar meus trabalhos. Gostaria que tivesse sido assim das outras vezes, mas sabemos que sendo músico independente, tomando conta de quase todas as áreas de produção e sustentação financeira, é difícil. Pra não dizer quase impossível, ou que eu tenha tido bastante sorte nos últimos anos para que assim fosse”.

E é justamente por isso que ele vem segurando as informações sobre o disco, compartilhando-as pouco a pouco com os fãs, principalmente através de suas redes sociais. Foi assim que anunciou sua volta, o título do disco, a capa do single e a data de lançamento. “Lidar com esse tempo de criação e maturação foi talvez a parte mais importante do processo. Não à toa estou tentando guardar cada informação sobre o disco. Não quero sair dizendo qualquer coisa para justificá-lo ou apresentá-lo. Quero também poder elaborar este primeiro momento e os próximos.”

Ele não entrega a capa, não fala do nome das músicas, participações especiais, a data de lançamento do disco, se haverá outro single, nada. As únicas referências já estão na mesa: o beat eletrônico frio, o andamento noturno, as cordas fortes que remetem às trilhas que John Barry escrevia para os filmes de James Bond nos anos 1960 e referências à mitologia grega. Só comenta, enigmático, que “é um disco escuro”. “Essa foi a primeira idealização e também a forma que tomou finalmente”, continua.

Esse tom também foi fundamental para a parceria com Strausz. “Estou paquerando o trabalho dele desde "Rainha dos Raios" (de Alice Caymmi), que pra mim é um disco que tem também essa qualidade. Guardei essa informação comigo e nos encontramos algumas vezes antes de começarmos a trabalhar juntos; tivemos encontros onde apenas falávamos de nós, do processo em ser artista, do que gostamos e quem somos. Foi um processo muito bonito. Existe bastante de nós dois no disco. E o Diogo se tornou certamente um dos maiores parceiros criativos que já tive”.

E começou bem.

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