Tudo Tanto: Luiza Lian brilha na estreia da coluna sobre a nova música brasileira
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Tudo Tanto: Luiza Lian brilha na estreia da coluna sobre a nova música brasileira

A transformação pela qual Luiza Lian passou nos dois últimos anos está mais para uma metamorfose. Ela saiu de seu homônimo disco de estreia, de 2015, em que ainda residia numa MPB com um toque tropicalista, para o terreiro eletrônico — “Oyá Tempo”, de 2017, era um EP, que virou o primeiro álbum visual brasileiro, e que virou um espetáculo instalação. Nele, a cantora usava um vestido-tela que se esticava pelas pontas do palco para projeções que conversavam com o conceito espiritual do trabalho. Um salto considerável que a amadureceu de forma brusca, “Oyá Tempo” transformou Luiza em um nome a ficar de olho na nova música brasileira. Mas ninguém estava pronto para a mudança ainda maior que é seu terceiro álbum, o recém-lançado “Azul Moderno”.

Nem mesmo Luiza. Tanto que o disco já estava sendo gravado quando “Oyá Tempo” virou um acontecimento. O EP era para ser apenas um registro de uma entressafra entre os dois álbuns — “Azul Moderno” deveria ter sido lançado no ano passado —, mas ele cresceu para o tamanho de um disco e ganhou vida própria. Ao invocar entidades sagradas para uma epopeia eletrônica — conduzida por seu fiel escudeiro, o produtor Charles Tixier —, Luiza sintonizou-se em uma frequência inusitada, que a fez olhar para o disco que estava finalizando com olhos completamente novos.

E assim resolveu desconstruí-lo. Remixou um álbum que ainda não havia sido lançado e o transformou em seu terceiro trabalho. “Azul Moderno” vai para além dos beats de candomblé de “Oyá Tempo” e passeia entre violões e teclados, debruçado preguiçoso sobre uma espiritualidade ampla e familiar, de timbres e andamentos improváveis e inusitados, mas ao mesmo tempo caseiros e confortáveis. Todo o grau de estranheza que parece pairar sobre o disco (beats entrecortados, samples de trilha sonora de videogame, colagens de ruídos, mudanças bruscas de humor) é facilmente dissolvido pela voz mais grave e madura que Luiza apresenta num dos grandes álbuns do ano.

Mas essa é só uma parte desta nova fase. Neste fim de semana, ela descortina a versão ao vivo de “Azul Moderno”, que ela escolheu fazer no mítico Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez. “Vai ser um show único, pensado especificamente para este espaço”, me explica Luiza, fazendo mistério sobre o que irá apresentar no palco. E pode ser um laboratório para ver como este disco funciona ao vivo, diferente da versão gravada, que foi muito manuseada em estúdio

Tudo Tanto é uma coluna que fala sobre a música brasileira hoje — sejam artistas novíssimos e desconhecidos do público a velhos bastiões de nossa sonoridade. O que importa é a atualidade e a presença destes artistas numa época tão intensa e conturbada como a nossa — e por isso mesmo tão cheia de boas surpresas e novos talentos. Eu, Alexandre Matias, acompanho esta música há mais de vinte anos, primeiro como jornalista, depois como curador (atuo como curador de música no Centro Cultural São Paulo e no Espaço Cultural Centro da Terra, ambos em São Paulo) e finalmente como diretor artístico, anotando novidades e transformações nesta coluna, originalmente publicada na revista “Caros Amigos”, que parou de ser impressa no final de 2017. Retomo-a aqui neste Reverb, agora com periodicidade semanal, sempre às sextas-feiras. Vamos lá?

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