Tudo Tanto: Marcelo Jeneci adianta os detalhes de 'Guaia', seu novo disco
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Tudo Tanto: Marcelo Jeneci adianta os detalhes de 'Guaia', seu novo disco

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“Talvez eu consiga superar o temor da transformação”, canta tranquilo Marcelo Jeneci logo no início do reggae “Aí Sim”, parceria com Arnaldo Antunes que marca sua volta aos registros fonográficos desde seu segundo disco, “De Graça”, lançado em 2013. A faixa, ensolarada e alto astral, poderia indicar um álbum ainda mais leve que seu primeiro lançamento, “Feito Pra Acabar”, de 2010. Mas não é bem assim que Marcelo enxerga sua nova empreitada - como justamente explica na primeira frase do novo single, que precede o terceiro álbum, cujo lançamento está programado para junho e que será batizado com o apelido que Jeneci tinha na juventude: “Guaia”.

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Ele me antecipa o título num papo que tivemos ao telefone a partir de Los Angeles, onde está mixando o disco com o produtor Mario Caldato. "Guaia" é a forma que Marcelo era conhecido quando jovem, por morar no distrito de Guaianases, na Zona Leste de São Paulo. “É o primeiro disco em que eu consigo sintetizar os arquétipos que me formaram, em que posso falar da minha origem e para aminha origem”, explica. “Diz respeito ao bairro de onde vim e me criei. Eu pego o arquétipo do som sintético e também aquele que me leva mais para a rua, pego o arquétipo pernambucano e também falo da minha formação, porque tem tudo pra ser tocado no deslocamento de território, que é quando as coisas acontecem e destravam".

Mas é muito mais do que isso. Veja como ele descreve empolgadamente “Redenção”, uma das faixas do disco: “Ela fala sobre o fato de eu ter crescido na igreja e ter enfrentado o confronto entre o dogma e o prazer, que é uma coisa muito comum para muitos brasileiros. Musicalmente, ela é uma soma de canto gregoriano, bateria de frevo e violão western”, explica, ainda acrescentando que trouxe o baterista Adelson Silva, que Marcelo descreve como “o Wilson das Neves do frevo”. Em outra faixa, “É Emergencial”, ele tenta imaginar o que ele chama de “a voz dos guardiões do mundo”, para falar sobre questões ambientais e para isso chamou a filha de um cacique da tribo Iawanawa, Ikasha-Rwu, para cantar em seu idioma nativo, ao mesmo tempo em que o tecladista Roberto Pollo pilota os sintetizadores. Em outra, a balada “O Seu Amor Sou Eu”, escreveu arranjo de cordas que serão tocadas pela Orquestra de São Petersburgo.

“Foi uma busca ao desconhecido”, continua, explicando o processo que, apesar de ter convidados, foi focado no encontro com o produtor Pedro Bernardes, que assina com a alcunha de Wladimir Gasper, e com o auxílio de Lux Ferreira, na coprodução. O processo começou há oito meses, quando montaram o estúdio em casa e começaram a trabalhar em músicas que Jeneci já tinha composto. “Eu sou casado com a Mana, a irmã do Pedro, somos da mesma família e a gente sempre se admirou”, continua. “E lembro que um dia eu disse que queria trabalhar com a soma do acústico com o sintético e ele respondeu explicando como aquilo poderia dar um salto no meu trabalho - aquilo me deixou inquieto.”

Foi um processo que passou longe do pop radiofônico do primeiro disco e do pop quase prog do segundo álbum, em busca dessa identidade própria que Jeneci encontrou em suas origens. Ela vem reforçada na imagem do disco, que será assinada pelo grafiteiro e conterrâneo Tody One, que também estará na capa. E que promete mostrar um Jeneci simultaneamente leve e denso - e completamente novo.

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