Tudo Tanto: sem medir palavras, Odair José lança 'Chumbo Grosso' no Reverb
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Tudo Tanto: sem medir palavras, Odair José lança 'Chumbo Grosso' no Reverb

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Odair José nunca mede palavras. Um dos cantores e compositores mais populares do Brasil, ele sempre tratou de temas polêmicos em suas canções e agora prepara-se para mais uma sequência, ao anunciar o lançamento de um novo disco com um single em parceria com o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira. A irônica "Chumbo Grosso" chega em primeira mão para a coluna Tudo Tanto e você ouve a seguir. 

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O goiano Odair José nunca ficou alheio a questões sérias. Seus hits monumentais dos anos 1970, compostos quando chegou ao Rio de Janeiro, sempre falaram sobre questões sensíveis à sociedade: "Deixa Essa Vergonha de Lado" falava sobre empregadas domésticas, "Uma Vida Só" cantava sobre pílulas anticoncepcionais (e foi censurada pela ditadura militar da época), "Revista Proibida" discorria sobre pornografia, e "Vou Tirar Você Deste Lugar" narrava o amor por uma prostituta. 

Mas mais do que um "o Bob Dylan da Central do Brasil", como foi rotulado pelo jornalista Paulo César de Araújo no clássico livro "Eu Não Sou Cachorro Não — Música Popular Cafona e Ditadura Militar", também é autor de eternas baladas apaixonadas como "Cadê Você?", "Eu, Você e a Praça" e "A Noite Mais Linda do Mundo".

Há quatro anos ele deixou o romantismo em segundo plano e voltou às canções de protesto em dois discos bem recebidos pelo público e pela crítica: "Dia 16", de 2015, e "Gatos e Ratos", lançado no ano seguinte. Seu próximo disco, "Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio" (Monstro Discos), marcado para março, segue a mesma linha, indo além: "Quero convocar as pessoas a uma desobediência moral e anarquista", ele conta. "Quero debater essa hipocrisia estabelecida em todos segmentos da sociedade, uma falsa moral em que o sujo quer punir o mal lavado".

A primeira amostra de seu novo trabalho é a faixa "Chumbo Grosso", em que segue dando nome aos bois, estabelecendo a conexão com o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, liderado pelas cantoras Raquel Virgínia e Assucena Assucena. Ao lado do guitarrista de sua banda, Rafa Acerbi, as duas participaram da releitura ao vivo que Odair fez no ano passado para sua clássica ópera-rock. O disco "O Filho de Maria e José" o levou a ser excomungado da igreja católica à época do lançamento, em 1977. "Elas fazem um trabalho excelente de performance e participaram de duas apresentações comigo e com o grupo Azymuth. A partir disso, surgiu a ideia do convite pra dividirem comigo o vocal em 'Chumbo Grosso'. Elas aceitaram e arrasaram!", diz ele.

"As Bahias" não são as únicas participações no disco, que ainda conta com o vocalista da Nação, Jorge Du Peixe, na canção "Imigrante Mochileiro". "Sou fã da Nação Zumbi desde sempre e pensei no Jorge justamente para que ele me ajude a levar a mensagem da música, por ele ter uma postura diferenciada e com força pra além da fronteira, já que este é um tema universal. Ele foi generoso aceitando o convite e eu sou agradecido". Ainda participam do disco nomes como Luiz Thunderbird, Toca Ogan, também da Nação Zumbi, e o trombonista Douglas Antunes, do Bixiga 70.

A referência ao rádio no título do novo álbum é a velha paixão que o cantor e compositor tem com a clássica mídia, que sobrevive mesmo com a força da TV e da internet. "É a minha homenagem e agradecimento a esse meio de comunicação que mais parece com um feitiço vodu. O rádio terá sempre um lugar de importância na história".

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