Tudo Tanto: Thiago França e Tony Allen, ex-baterista de Fela Kuti, resgatam as raízes do afrobeat
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Tudo Tanto: Thiago França e Tony Allen, ex-baterista de Fela Kuti, resgatam as raízes do afrobeat

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"Acaba um sonho, começa outro". Assim o saxofonista Thiago França despediu-se do carnaval, onde desfilou com o bloco de sua Espetacular Charanga, para anunciar, em suas redes sociais, seu reencontro com o baterista nigeriano Tony Allen, mestre que ajudou seu conterrâneo Fela Kuti a conceber o amálgama sonoro que conhecemos por afrobeat. O encontro, que acontece nesta sexta-feira, no Sesc Pompeia, em São Paulo, faz parte do Nublu Jazz Festival, que também recebe artistas como Marc Ribot y Los Cubanos Postizos, o encontro entre Ali Shaheed Muhammad e Adrian Younge, o trio inglês de pianistas GoGo Penguin e a vocalista e produtora Georgia Anne Muldrow (mais informações aqui).

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Thiago, uma das forças-motrizes do trio Metá Metá e usina de criação musical, soube da existência de Tony num documentário sobre Gilberto Gil e ouvindo Fela Kuti pelo YouTube, há mais de uma década. Se encontraram pessoalmente pela primeira vez em 2012, quando o saxofonista foi para a Europa acompanhando o rapper Criolo, e o baterista o assistiu num show em Paris, na França. "O Tony colou no show e depois veio falar comigo, disse que gostou do meu jeito de tocar e que queria fazer algo junto — achei que era papo, porque era bom demais para ser verdade", desconfiava o músico.

"No ano seguinte, ele veio pro Brasil fazer o show dele e me chamou pra integrar a banda, Nessa mesma vez, fizemos um show do Metá Metá com ele na Serralheria", lembra, referindo-se à saudosa casa de shows da zona oeste paulistana. "O Tony passou a ser uma influência a partir de 2009, 2010", lembra Thiago. "A forma como ele cria as batidas, desconstruindo outras levadas, meio que escondendo o óbvio, virou um norte no processo de criação de muitas das coisas que a gente fez nessa época, tanto pro Metá quanto pro Sambanzo", referindo-se a seu projeto solo.

O encontro no Nublu reúne apenas o saxofonista e o baterista no palco. "Há uns anos, o Tony disse q encontrou o (saxofonista norte-americano) Joe Lovano num festival e eles fizeram um duo, meio no improviso, e que tinha curtido muito. Na mesma hora, eu disse q ficaria muito a fim de fazer isso também", lembra Thiago. "Nos desencontramos algumas vezes por conta das turnês, mas dessa vez deu certo. Antes disso, ele me mandou três tracks abertos de batera e disse pra fazer o que quisesse com elas. Disso saiu o EP com o Metá Metá, 'Alakorô', e também uma parceria com o produtor Tejo Damasceno, que saiu no último disco de seu coletivo Instituto, 'Violar'."

"O show somos só os dois, eu tocando sax alto, tenor e barítono", continua. "Vai ter muito espaço pra improviso, mas tem coisas combinadas. No ensaio, o Tony foi puxando os beats e eu fui encaixando as melodias. Tem duas parcerias nossas, uma música dele do disco 'The Source', duas músicas minhas, uma do Sambanzo e uma inédita, e uma cantiga pra Oxum. Mas as estruturas são bem soltas, tem bastante espaço para improviso e é uma oportunidade única de ouvir toda a complexidade da bateria do Tony".

Ele ainda não tem planos para registrar o encontro no disco. "Nada concreto ainda, só vontades, mas queremos continuar fazendo coisas juntos", conclui.

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