Tudo Tanto: Três Selos une forças para fomentar mercado brasileiro do vinil
Especial

Tudo Tanto: Três Selos une forças para fomentar mercado brasileiro do vinil

0

Publicidade

"Acreditamos que o mercado de vinil no Brasil chegou a uma estabilidade", respondem, conjuntamente, Frédéric Thiphagne, João Noronha e Rafael Cortes, donos, respectivamente, dos selos Goma Gringa, EAEO e Assustado Discos. "O hype passou e a pessoa que comprava o disco para colocar na parede ou para um dia comprar uma vitrola, talvez não esteja mais consumindo. Seguimos com os amantes fiéis do formato, os que retomaram suas coleções e um público formado nesse período e que pegou gosto".

É a explicação para a iniciativa conjunta das três pequenas empresas, que começam a relançar discos no formato sob o nome de Três Selos. Separadamente, eles já vinham trabalhando com relançamentos. A Assustado reprensou as estreias do Mundo Livre S/A, de BNegão e do Maskavo Roots, clássicos de artistas como Siba, Eddie, Lucas Santtana, Apanhador Só e DJ Dolores, além de lançar versões em vinil para discos recentes de Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Aíla, Passo Torto e Wander Wildner. A Goma Gringa relançou vinis da Tribo Massáhi, Orchestre Poly-Rythmo De Cotonou e Fela Kuti, além de apostar em discos do Metá Metá, Juçara Marçal, Rodrigo Campos e Manu Maltez. Já o EAEO lançou a caixa do Cidadão Instigado e clássicos do Cólera, além de discos novos de Jonnata Doll, Soledad, Juliano Gauche, Guizado e Carne Doce. Agora começam a destrinchar diferentes épocas do catálogo musical brasileiro para relançar em vinil — ou, em alguns casos, lançar pela primeira vez neste formato.

Frédéric, o francês proprietário do Goma Gringa, lembra-se do início, no meio do ano passado: "Recebi uma ligação do Rafa pedindo para a gente se encontrar pois ele estava com uma proposta ‘mirabolante’. Gosto de ideia e projetos mirabolantes, ele me contou da ideia e aceitei na hora. Daí começamos a aventura que agora foi concretizada". Noronha entrou em seguida e eles acabaram de anunciar o primeiro lançamento do selo: o disco "Sinceramente", último álbum do cantor e compositor Sérgio Sampaio, lançado de forma independente em 1982 e que nunca mais saiu em vinil. A ideia inicial é fazer um lançamento novo por mês e criar um vínculo com os ouvintes através de um canal de assinaturas, pela qual o consumidor pagaria o mesmo preço que o lojista paga para colocar o disco na loja.

Capa do disco 'Sinceramente', de Sérgio Sampaio, de 1982
Capa do disco 'Sinceramente', de Sérgio Sampaio, de 1982
Vamos trabalhar também com artistas mais novos e menos populares, pois acreditamos que também é nosso papel fomentar a música fresca, nova 

"A ideia foi de juntar forças mesmo. Criar oportunidades de expandir o alcance de cada um dos selos, principalmente em articulações, expertises e orçamento", continuam os três. "Na prática, com mais de seis meses de trabalho desde a primeira reunião, acreditamos que a iniciativa está dando certo. Criamos dinâmicas complementares que estão dando um corpo interessante ao Três Selos, além de criar possibilidades reais de amadurecimento individual de cada selo".

Eles fazem mistério sobre os próximos lançamentos, mas o critério inicial é mais artístico que comercial. "Estipulamos que só trabalharíamos com artistas em quem acreditássemos, inclusive para saber como vender. Outro ponto foi equalizar uma estética que nos agradasse com as necessidades e interesse do mercado. Em alguns momentos vamos ousar nesse sentido, e trabalhar com artistas mais novos e menos populares, pois acreditamos que também é nosso papel fomentar a música fresca, nova. Definitivamente, escolher os 12 títulos não foi uma tarefa simples", concluem. Entre os próximos lançamentos, eles citam um clássico fundamental da música independente brasileira do século passado, outro clássico da era digital que nunca saiu em formato físico, discos de rap e música experimental, além de um dos álbuns mais aclamados pela crítica no ano passado.

Mas nem tudo foi fácil. "Esbarramos em dificuldades de licenciamento de algumas obras que considerávamos interessante para a coleção. Isso inviabilizou que algumas ideias se concretizassem para o ano de 2019. Outra dificuldade são os prazos, por trabalharmos com um lançamento por mês, tudo tem que estar em dia para que nenhum atraso ocorra. Por conta disso, tivemos que desistir de algumas ideias para não correr o risco de deixar os clientes sem o disco", sintetizam.

"A boa repercussão do sistema de assinaturas nos permite pensar em títulos nos quais acreditamos, mas que não alcançaram um público grande, utilizando da curadoria do Três Selos para divulgar artistas não estabelecidos no mercado", concluem. 

Mas a joint-venture não significa que as atividades individuais de cada selo vão parar: todos eles seguem à toda. Rafael menciona Maurício Takara, Devotos, Tássia Reis e o "Galanga Livre" de Rincon Sapiência em vinil duplo que sairão pela Assustado; João fala sobre o próximo do Siba, além de "dois grandes nomes do rap nacional" e coletâneas pela EAEO; enquanto Fred, da Goma Gringa, antecipa apenas o disco do grupo Gadiamb B. "É a banda do meu sócio, Matthieu Hébrard, que já esta disponível no digital e conta com participações do Romulo Nardes, do Bixiga 70, Kiko Dinucci e Juçara Marçal. Dá muito azar de soltar nomes de projeto antes de estar bem engatilhados, por isso nada esta muito definido ainda, mas uma vontade grande é retomar um pouco o assunto dos relançamentos. Estamos também para desenvolver um pouco o campo de produção e deveremos anunciar em muito breve projetos relacionados à edição de livros e material impressos de artistas".

Publicidade

Tags relacionadas:
EspecialTudo TantoVinil
Background

Relacionados

Canais Especiais