Um ano depois de viralizar em vídeo, a bebê Francesca, que fez implante para tratar surdez aos cincos meses, canta para a mãe
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Um ano depois de viralizar em vídeo, a bebê Francesca, que fez implante para tratar surdez aos cincos meses, canta para a mãe

Quando o toque de um alarme de incêndio interrompeu o silêncio do hospital e seu bebê nem se mexeu, a canadense Julia Tirabasso sabia que algo estava errado. "Era o som mais alto que eu já ouvi e ela dormiu mesmo assim", conta a mãe da pequena Francesca.

Ela e o marido William Jones descobriram, semanas depois do nascimento em 25 de maio de 2018, que uma infecção viral comum, transmitida de mãe para bebê no útero, tornava a filha surda nos dois ouvidos.

O caso de Francesca foi o primeiro a ser testado na fase piloto de um novo programa em Ontário, no Canadá, que, em julho, tornou-se o primeiro do mundo a oferecer aos recém-nascidos um teste para citomegalovírus congênito, ou cCMV, a causa não genética mais comum de perda auditiva permanente em crianças. Já foram detectados 70 casos de infecção congênita, 53 deles desde que o programa se tornou mundial.

Quanto mais cedo as crianças com perda auditiva recebem aparelhos auditivos ou implantes cocleares, maior a probabilidade de aprender a falar.

"As pessoas estão olhando muito de perto o que está acontecendo em Ontário", diz ao "The Globe And Mail" Sharon Cushing, otorrinolaringologista do Hospital for Sick Children de Toronto, que ajudou a elaborar o programa de triagem cCMV de Ontário. "Viajo por todo o mundo e eles ficam surpresos com o que estamos", conta.

Para Francesca, a detecção precoce de sua infecção pelo cCMV a tornou uma das crianças mais novas a receber implantes cocleares, dispositivos eletrônicos que restauram parcialmente a audição. Ela tinha quase seis meses quando o aparelho foi ligado pela primeira vez, em 10 de dezembro de 2018.

Em um noticiário da CBC que teve mais de 4 milhões de visualizações, Francesca está silenciosamente mastigando uma girafa de borracha quando um bip alto emitido pela audiologista Susan Druker chama sua atenção. Francesca olha para cima e sorri. Os pais riem de alegria e alívio.

Francesca e os pais, no momento em que a bebê ouviu pela primeira vez. Foto: Reprodução Youtube
Francesca e os pais, no momento em que a bebê ouviu pela primeira vez. Foto: Reprodução Youtube

Chegar a esse momento foi uma jornada que começou pouco depois de Francesca ter nascido saudável no hospital Mount Sinai, em Toronto. Depois que testou positivo para a infecção pelo cCMV, o hospital organizou imediatamente um dia de check-up para o casal e seu bebê de um mês. "Eu chorava o dia todo", diz Julia que, no entanto, também encontrou motivos para ter esperança. Com a orientação de 11 tipos diferentes de médicos e profissionais de saúde, incluindo um terapeuta verbal auditivo, um terapeuta ocupacional, um assistente de apoio à família e uma professora em casa, Francesca, agora com 18 meses, pode ler seu alfabeto, contar, cantar, fazer sons de animais e imitar seus pais enquanto eles lêem para ela.

“Você quer ler?”, perguntou Julia à filha recentemente, segurando um livro intitulado "Little Blue Truck". "Leia!", Francesca respondeu, imitando personagens ("Beep beep!") e fazendo sons dos animais.

Para Francesca chegar a este ponto, onde ela compreende palavras e fala bem como qualquer criança que está ouvindo, foi um esforço em conjunto dos pais. Eles conversam constantemente om a menina, narrando tudo que fazem, até um simples preparo de uma refeição. Nas paredes do apartamento estão coladas notas com dicas de um terapeuta da linguagem, como a de não encher seu prato, sempre perguntando o que mais ela quer comer. Quando Francesca era menor, eles se escondiam e tocavam sinos, batiam colheres de madeira em panelas e sacudiam coisas,observando se Francesca seguia os sons.

Se não fosse pelos pequenos gadgets acima de suas orelhas, você nunca imaginaria que, quando a parte externa dos dispositivos cocleares é removida para banho ou hora de dormir, Francesca não consegue ouvir nada.

Marlene Bagatto, professora de audiologia e pesquisadora da Universidade do Oeste de Ontário, disse que todas as crianças canadenses com perda auditiva merecem o tipo de intervenção que ajudou Francesca a desenvolver a fala. “A melhor chance que você tem para desenvolver muito bem a linguagem falada é até os dois anos de idade. O quanto antes, melhor ”, diz ela.

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