'Unknown Pleasures': icônica capa — alvo de muitos memes — de álbum do Joy Division é analisada por astrofísico
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'Unknown Pleasures': icônica capa — alvo de muitos memes — de álbum do Joy Division é analisada por astrofísico

Há 40 anos, a banda inglesa Joy Division lançou seu disco de estreia, “Unknown Pleasures”. A capa do álbum não traz palavra alguma, apenas um gráfico em preto e branco, composto por 80 linhas ondulantes; hoje, uma imagem icônica. O que vemos na enigmática figura é o sinal produzido por um pulsar – fenômeno que ocorre durante a “morte” violenta de uma estrela gigante que explode e se transforma em uma supernova. Resumindo, são dados vindos do espaço sideral.

Pesquisador de astrofísica na Universidade de Manchester (a cidade natal do Joy Division), Patrick Weltevrede concebeu, 40 anos depois do lançamento de “Unknown Pleasures”, um experimento científico que também serviu de homenagem ao aniversário do disco. O cientista usou o rádiotelescópio da instituição para captar as emissões do mesmo pulsar representado na capa do álbum.

'Unknown pleasures', do Joy Division
'Unknown pleasures', do Joy Division

“O rádiotelescópio transforma as ondas de rádio em sinais elétricos, que por sua vez podem ser convertidos em ondas sonoras”, explica Weltevrede. “Gravamos os sinais daquele mesmo pulsar, com um equipamento instalado a poucos quilômetros do estúdio onde o Joy Division gravou o disco”.

O gráfico na capa de “Unknown Pleasures” traduz os sinais emitidos pelo pulsar conhecido como B1919+21, o primeiro descoberto pelo homem. Peter Saville—responsável pelo design dos discos da Factory, a gravadora do Joy Division – criou a capa inspirado em um desenho visto pelo guitarrista Bernard Sumner em uma enciclopédia.

O pulsar B1919+21
O pulsar B1919+21

A figura foi criada em 1970 por Harold Craft, um estudante de astronomia cuja tese de pós-doutorado tratava de pulsares. As linhas tremulantes no gráfico correspondem a 80 “flashes” de ondas de rádio emitidas pelo B1919+21. Alguns desses “flashes” são brilhantes (correspondem aos “picos” vistos no gráfico) e outros, mais discretos.

Durante a explosão de uma supernova, o núcleo de uma estrela gigante é comprimido em uma esfera quase perfeita denominada estrela de nêutrons. É um corpo celeste tão denso, que os átomos da estrela original não conseguem manter sua estrutura: eles se dispersam em partículas menores chamadas nêutrons. Os pulsares são estrelas de nêutrons que giram a velocidades imensas, espalhando radiação universo afora.

“Quando o sinal original foi gravado, não se sabia por que alguns pulsares emitiam radiação em padrões definidos”, conta Weltevrede. “Com a tecnologia atual, pudemos determinar que são partículas criadas por descargas elétricas. As ondas de rádio na capa de ‘Unknown Pleasures’ e as ondas captadas em nossas novas imagens são causadas por ‘relâmpagos’ produzidos no espaço, a muitos anos-luz de distância. Entendemos esse tipo de ocorrência muito melhor agora, mas os pulsares ainda são um enigma – um dos fenômenos mais extremos da natureza.”

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