Violinista com 'ossos de vidro', Gaelynn Lea enfrenta a questão da acessibilidade em suas turnês
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Violinista com 'ossos de vidro', Gaelynn Lea enfrenta a questão da acessibilidade em suas turnês

Já contamos sobre a história de Gaelynn Lea aqui no Reverb. Ela é uma violinista americana natural de Duluth, cidade no estado de Minnesota — onde, aliás, nasceu e cresceu o gênio Bob Dylan —, que vive com uma doença hereditária chamada Osteogenesis Imperfecta, condição também conhecida como "ossos de vidro". Por conta da disfunção, ela desenvolveu uma forma única de tocar o instrumento — basicamente, como fosse um violoncelo, com o violino posicionado de pé em sua frente, e não em seu ombro.

Extremamente talentosa e dedicada, Gaelynn ganhou o mundo por sua história de superação. Em 2018, ela venceu o prestigiado concurso da rádio americana NPR "Tiny Desk song contest" com a canção original "Someday We'll Linger in the Sun". A letra foi escrita em homenagem ao seu marido, Paul. Os dois se casaram em 2017 e, um ano depois, saíram em turnê pelos EUA graças ao prêmio da competição.

"Meu marido, que era o organizador da turnê, adorou a experiência. Ela me perguntava: 'Você vê essa vida como algo que você queira tocar adiante?'", disse a violinista.

Gaelynn Lea tem 34 anos e deixou sua carreira como professora de música para viajar fazendo turnês com seu espetáculo de violino/Getty Images
Gaelynn Lea tem 34 anos e deixou sua carreira como professora de música para viajar fazendo turnês com seu espetáculo de violino/Getty Images

A resposta foi sim, apesar das dificuldades encontradas pelo caminho. Ela preferiu deixar de lado sua profissão como professora de música para viajar, mais alguns anos, com seu belíssimo show de violino. Agora, se apresenta por casas de show do Reino Unido e da Irlanda, fazendo um legião de admiradores por onde passa.

"Tenho uma música chamada 'Birdsong', que tem uma parte na qual deixo o público cantando sozinho. A última vez que a toquei na Irlanda a galera continuou a cantá-la mesmo depois que parei de tocar", revelou Gaelynn, que entre letras de amor, relacionamentos e superação, também faz duras críticas políticas ao governo Trump no que diz respeito aos direitos e ao acesso gratuito a saúde para pessoas deficientes. Isso fica claro na faixa "I Wait", com trechos como "Can you see me, way in the back here?" (na tradução livre, "Você pode me ver aqui, bem aqui no fundo?).

Ainda sobre viajar em turnê em diferentes países, a artista explica que sua maior dificuldade é contar com a honestidade das casas de shows, pois relatam que são "preparadas" para receber pessoas deficientes, mas na realidade não são. "Agora fico 100% responsável por agendar as apresentações nos lugares em que me sinto confortável. Não dá para fazer um show num lugar cheio de escadas, sabe? Eu fico tipo: 'Cara, você não viu uma foto minha? Eu ando de cadeira de rodas'", lamentou ela.

"Gosto de fazer minhas coisas sozinha, sempre que possível. Essa atitude passa uma mensagem positiva, de que sou capaz de viver por conta própria", explicou Gaelynn, alertando para outro problema durante suas excursões: os banheiros. "O próximo passo para as casas de espetáculo modificarem esses padrões excludentes será dado quando artistas que não são deficientes se negarem a tocar nesses locais".

Ela, ao fim da entrevista concedida ao "Guardian", levantou ainda mais bandeira para sua causa: "Nós somos ótimos no que diz respeito a lembrar da comunidade LGBTQ, estamos nos empenhando a falar mais sobre racismo e sendo mais tolerantes com o feminismo. Mas precisamos ser mais ativos na causa das pessoas deficientes. Temos que entrar no debate com maior frequência".

Abaixo, conheça mais do trabalho de Gaelynn no seu disco de inéditas "Learning How To Stay":

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