Vitin, do Onze:20, reflete sobre futuro da banda e brinca: ‘Até hoje acho que não canto porra nenhuma’
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Vitin, do Onze:20, reflete sobre futuro da banda e brinca: ‘Até hoje acho que não canto porra nenhuma’

A vida na estrada foi o que levou o Onze:20, em parceria com outros compositores, a escrever “Razão Pra Existir”. A música do EP “[C]Alma”, lançado em 2019, tinha como intuito falar sobre sentimentos dos artistas que deixam suas famílias para viver de cidade em cidade fazendo shows. Em tempos de isolamento social por conta do coronavírus, a faixa ganhou outros contornos com o lançamento de seu clipe no YouTube. “Quando aconteceu tudo (a pandemia), ela já estava na porta de lançamento, mas a gente percebeu que ela iria trazer conforto e falaria ao coração de quem está precisando escutar uma palavra agora”, conta Vitin, nome artístico de Victor Hugo, o vocalista da banda de reggae, em entrevista por telefone ao Reverb.

Os versos da música são simbólicos para o momento em que muitos profissionais de saúde não podem voltar às suas casas. “Pode não ter hora mas eu vou voltar para casa”, canta Vitin. “Foi algo muito divino ele (o vídeo) ter acontecido nesse momento. Serve para todas essas pessoas sentirem que ainda vão voltar para casa, que tudo vai ficar bem e que todo mundo vai voltar a se abraçar e sair da nossa situação que a gente chama de normal. Porque a gente sabe que quando tudo voltar ao normal, se a gente voltar ao ‘normal’ na rua, vai ser errado, sabe?”, reflete o vocalista, que acredita que o momento que a sociedade atravessa agora é para despertar aprendizados em cada um de nós.

Durante o período da quarentena, Vitin tem passado os dias com a família em Juiz de Fora, cidade onde a banda, que tem ainda Chris Baumgratz (guitarra), Fabio Barroso (guitarra), Marlos (baixo) e Fábio Mendes (bateria) e Athos (teclado), foi formada. Ele é casado com Thaynná Fávero, com quem está há quatro anos. Os dois tem um filho, Dominic, de um ano e quatro meses.

“Aqui em Juiz de Fora eu tenho visto que o pessoal tem se cuidado. As pessoas que têm que sair de casa têm saído de máscara. Infelizmente, alguns locais ainda estão com aglomeração, como as filas de banco ou as filas de hospital. Porque a bola de neve já começou a rolar lá quando Dom Pedro (sic) colocou os pés aqui pela primeira vez, sacou? Logo quando a primeira lança foi trocada por um espelho ou por uma galinha isso começou a surtir efeito colateral muito forte no nosso povo. Em que o nosso rico cada vez ficou mais rico e o pobre cada vez ficou mais pobre. Então o povo ainda precisa desse auxílio, por mais que as pessoas digam que ele não vale de nada, mas tem pessoas que não tem nada mesmo em casa”, diz o músico.

Pensando em alcançar principalmente essas pessoas, o Onze:20 promoveu uma live no fim de abril (assista ao vídeo no fim da matéria). “Existem pessoas que não têm o privilégio de sentar na mesma mesa que a mãe para poder almoçar. Sem querer se político demais, eu acho que a gente precisa de alguém que olhe para a gente com olhos de povo mesmo. Olhos que são para cuidar da gente e não simplesmente fazer o que quiser seja lá qual for o custo.” Para os próximos meses, a ideia é lançar um single em junho.

Onze:20: banda costuma compor músicas juntos, cada um faz uma parte / Foto: Divulgação
Onze:20: banda costuma compor músicas juntos, cada um faz uma parte / Foto: Divulgação

Os integrantes do Onze:20 costumam compor juntos. A própria “Razão Para Viver” tem autoria creditada a 14 mãos: além de Vitin, de ambos os Fábio e Chris, assinam a música, ainda, os parceiros Guga Fernandes, Tiê Castro e Felippe Lau. A produção ficou por conta de Marlos Vinicius, um dos mais habitués na escrita. “É muito natural (esse processo conjunto). Alguém começa algo e sabe que não consegue passar de um determinado momento da música. Eu sou um cara que gosta muito de fazer refrão. O refrão é minha vida. Toda música que tem um refrão forte acaba sendo levada para a vida. Mas a gente compor junto é uma grande forma”.

Entre os refrãos que guarda com mais carinho, Vitin destaca dois do álbum “A Nossa Barraca” (2012): o de “Meu Lugar”, primeiro grande sucesso da banda, e o de “Fica Do Meu Lado”. A música, segundo ele, não foi escrita pensando no amor romântico, como a letra pode sugerir em um primeiro momento. “Deus é quem me livre ficar sem você. Fica do meu lado que não falta amor. Sem o seu carinho eu vou enlouquecer, vem, chega mais perto, me dá seu calor.”

“Eu estava passando por uma situação difícil na minha vida que não era nada sobre amor, não era sobre nada ligado a afetividade, era mais porque querer algo bonito para cantar no momento porque eu estava me sentindo triste. Eu tinha andado de skate o dia inteiro e à noite eu voltei para casa, sozinho, e falei: ‘porra, queria cantar uma parada bonita agora, velho!’ E aí veio essa parte”, relembra.

Antes de estar à frente do grupo, Vitin já teve dias de animador de festa infantil, recreador em colônia de festa, vendedor em loja de óculos e até vendedor de ingresso em porta de show. “A música sempre foi uma parada que eu quis na minha vida, mas até hoje eu acho que não canto porra nenhuma. Eu mais comecei a cantar por uma necessidade do que por eu saber cantar. Eu era guitarrista das bandas que meu irmão tinha e ele parou de ter banda, parou de cantar, e eu falei: ‘quem vai cantar agora?’ e ele respondeu: ‘Você!’. Eu falei: ‘esse moleque é meio doido.’ Mas aí eu comecei a cantar e o pessoal começou a ter ideia de me colocar na frente para cantar e foi assim. Eu nunca quis ser líder de porra nenhuma não”, se diverte.

Para os próximos projeto da banda, Vitin quer falar de amor. “Eu acredito que essa nova fase a gente quer falar muito mais sobre o amor no geral do que apenas o amor afetivo. É isso que a gente está procurando, falar do amor pela vida, o amor próprio, o amor pelo que você tem a viver ainda do que o amor “vou morrer se você não estiver mais aqui”.

Vitin posa com a mulher, Thaynná, e o filho, Dominic / Foto: Reprodução
Vitin posa com a mulher, Thaynná, e o filho, Dominic / Foto: Reprodução

O isolamento fez o músico comemorar o aniversário, comemorado no dia 4 de maio, em casa com a família. A situação não foi um problema para o cantor, que admite gostar muito de datas comemorativas, incluindo seu aniversário. “Eu, Victor Hugo, não sou muito chegado a aniversário. Costumo passar na estrada, quase nunca estou em casa no dia. Dessa vez, veio a calhar e eu passei com a minha esposa e meu filho, bem quietinhos, dentro de casa com sorvete e comidas feitas pela gente”, contou. Ele é casado com a empresária Thaynná Fávaro, com quem está há quatro anos. Os dois tem um filho juntos, Dominic, de um ano e quatro meses, uma criança com síndrome de Down.

“Eu costumo chamar o meu filho de ‘Dominic, o primeiro menino livre’ porque eu já acho ele um moleque corajoso para caralho só por ter deixado outro plano para vir ser filho meu e da minha esposa. Eu sempre fui resistência desde o dia em que eu pus o pé na Terra. Eu sou preto, filho de mãe preta e pai branco, favelado e sempre tive que provar para todo mundo por que que eu vim a Terra. Sempre tive que provar para todo mundo que eu mereço, que eu sei, que a minha vida é assim. E ele ter vindo na minha vida foi um sinal de que a luta ainda não acabou não. Ele veio para ser meu melhor amigo, meu filho e a minha força motriz para poder continuar lutando. Eu, enquanto a preto na sociedade, sei quantas dificuldades eu sofri para poder estar aqui e eu sei o quanto meu filho pode sofrer também para poder estar onde ele quer porque eu acredito que o meu filho pode ser o que ele quer na vida dele.”

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