Vivian Liberto, primeira mulher de Johnny Cash, é tema de doc com revelações sobre a luta do casal contra racismo, depressão e vício
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Vivian Liberto, primeira mulher de Johnny Cash, é tema de doc com revelações sobre a luta do casal contra racismo, depressão e vício

Quando se fala em companheira de Johnny Cash (1932-2003), June Carter (1929-2003) é o nome que as pessoas lembram — muito popularizada pelo filme "Johnny & June", estrelado por Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon. Mas o casamento de 35 anos com a cantora foi o segundo de Johnny, que antes viveu 13 anos com Vivian Liberto (1934-2005), com quem teve quatro filhas. A história dessa companheira, que o conheceu antes de se tornar famoso, é revelada em novo documentário "My Darling Vivian". Ela guardou suas cartas de amor e manteve contato com ele até o fim da vida.

Vivian e Johnny eram muito jovens quando se conheceram. Ele tinha 18 anos e havia acabado de entrar para a Força Aérea em San Antonio, no Texas. Ela, 17, estudante e filha de pai italiano sob uma rígida educação. Se conheceram numa pista de patinação numa situação em que alguns dizem que ele apostou com amigos que a conquistaria e outros, que ele esbarrou de propósito nela para puxar conversa.

Johnny Cash e Vivian em 1957. Foto: Getty Images
Johnny Cash e Vivian em 1957. Foto: Getty Images

O namoro foi interrompido três semanas depois quando ele foi enviado à Alemanha, onde ficou até julho de 1954. De sua volta ao altar bastou apenas um mês — o casamento foi em 7 de agosto. Rosanne, a primeira filha, nasceu nove meses depois, quando ele já dava seus primeiros passos na carreira profissional tocando com o guitarrista Luther Perkinse o baixista Marshall Grant. As primeiras gravações viriam no ano seguinte pela Sun Records.

Muito da história do casal já havia sido revelado na autobiografia de Vivian, "I Walked the Line: My Life with Johnny", lançada em 2007, dois anos após a sua morte. O documentário "My Darling Vivian", dirigido pelo cineasta de Matt Riddlehoover — que é casado com o produtor Dustin Tittle, neto de Vivian e Johnny —, chega para revelar mais detalhes daquele começo promissor e o fim turbulento do romance e da vida familiar do casal. O filme tem imagens inéditas, fotografias e muitas cartas que os dois trocaram enquanto ele estava nas forças armadas. As filhas Rosanne, Kathy, Cindy e Tara têm guardadas mais de mil cartas do casal — uma delas veio com o anel de noivado —, além do diário detalhado de Vivian, com registros de cada vez que ela enviava ou recebia uma carta.

"O retrato de Vivian que emerge de 'My Darling Vivian' não vem filtrado por sentimento de pena — muitas vezes é enfatizado o quão jovem ela era quando as coisas estavam ruins. As filhas fazem o possível para enfatizar sua bondade e humor, mesmo nos tempos sombrios. A ira do filme não é reservada a Johnny, com quem ela se reconciliou como amiga e — é na mídia e em June Carter, que tentou apagá-la do legado de seu marido", descreve a crítica publicana no site "Vanyaland" sobre o filme que seria exibido no SXSW 2020 Film Festival. Com o cancelamento por causa da pandemia, esse e os outros títulos da programação podem ser vistos gratuitamente pelo Amazon Prime Video.

Pouco tempo depois do nascimento da primeira filha, Johnny já ganhava a estrada em longas turnês, o que significava muito tempo fora de casa. O casal se mudou para a Califórnia em 1958, quando ele começou a atuar no cinema. A família, que agora incluía as filhas Kathy e Cindy, começava a sentir os efeitos da dependência química de Johnny, acompanhada da depressão de Vivian.

Johnny Cash com Vivian Liberto e as filhas Rosanne e Kathy em 1957. Foto: Getty Images
Johnny Cash com Vivian Liberto e as filhas Rosanne e Kathy em 1957. Foto: Getty Images

Numa história que realmente parece de cinema, um boato surgiu em 1965 trazendo ainda mais problemas para o casal. Após a prisão de Johnny por posse de anfetaminas em El Paso, uma foto de Vivian foi publicada em um jornal e as pessoas acharam que ela era afro-americana. A mentira do casamento inter-racial se espalhou e, além de shows cancelados no Sul, Johnny ainda recebeu várias ameaças de grupos racistas.

Tentando pressionar o marido a voltar para casa, Vivian pediu o divórcio. Mas ele aceitou a separação. O ódio recaiu com ainda mais força sobre sua cabeça: atritos com a família e a Igreja Católica, que chegou a excomungá-la. Somente quando Johnny escreveu uma carta para a arquidiocese assumindo total responsabilidade pela separação e reconhecendo suas falhas como marido e pai, foi que Vivian pode receber comunhão novamente.

Vivian se casou novamente com o policial Dick Distin em 1968, com quem ficou até sua morte. Ela conseguiu manter uma relação de amizade com Johnny, apesar da mágoa que tinha de June, que ela acusa de dar drogas ao ex-marido e dizer que estava criando todos os filhos, inclusive suas quatro meninas. Dois meses após a morte de June, em maio de 2003, Vivian visitou Johnny para contar sobre as memórias que ela queria escrever. Ele teria dito que "de todas as pessoas no planeta que deveriam contar sua história, acho que deveria ser você". Dois meses depois, ele morreu aos 71 anos.

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