Vocalista do Culture Club, Boy George é um dos precursores do 'gênero fluido'
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Vocalista do Culture Club, Boy George é um dos precursores do 'gênero fluido'

Quem viveu a cena LGBT nos anos 1980 lembra-se bem de Boy George, o frontman da banda britânica de pop Culture Club. Podendo ser considerado um clubber de sua época, Boy George chamava atenção por seu visual carregado em maquiagem, tranças e acessórios nos cabelos longos e um chapéu, item indispensável no seu armário até hoje. A marca registrada do músico sempre foi o tensionamento entre os padrões masculino versus feminino, o que hoje os jovens chamam de "gênero fluido". Androginia, portanto.

Caso você não tenha acompanhado nada da cena LGBT nos anos 1980, mesmo assim as chances de conhecê-lo são altas: Boy George e sua banda, o Culture Club, venderam mais de 150 milhões de discos ao redor do mundo e emplacaram hits fundamentais das baladas da época, como "Karma Chameleon" e "Do You Really Want to Hurt Me".

O grupo também fez parte do movimento cultural que ficou conhecido como New Romantic, ao lado do Duran Duran, Visage e tantos outros representantes. No Brasil, a influência do movimento reverberou em bandas como o RPM de Paulo Ricardo. Enfim...

Em entrevista ao "NME", Boy George, falou sobre os rumos de sua banda — que lançou um novo álbum neste ano, batizado de "Life", com 11 faixas —, o sucesso no passado e sobre o direito dos LBGTs nos dias atuais.

O novo disco, "Life", marca o retorno da banda, que desde o início, em 1982, já foi e voltou diversas vezes. Sobre a ideia que se tem de que os membros do grupo têm uma rixa interna, Boy George disse que isso é um "mito". "Trabalhamos tantas vezes juntos e nunca nos separamos para valer", declara ele. "O Culture Club não é um casamento, nem um culto religioso. Para mim, o mais importante agora em estar com a banda é me divertir".

Com tantos hits emplacados no passado, é normal que o Culture Club viva sob a sombra do sucesso dos anos 1980 — ainda que eles se empenhem em lançar novos materiais. O vocalista do grupo, no entanto, não vê isso como algo ruim, e diz não se importar em tocar as antigas músicas nos shows. "Sinto como se tivesse voltado dez anos no tempo. Fico pensando: 'Ok, o que eu criei é importante e preciso valorizar isso'. Seria estúpido não tocar nossas canções mais famosas, mas claro que as vezes há uma certa resistência", revela ele.

O cantor também comenta sobre o maior desconforto para tocar para plateias mais novas e descreve o que mais lhe irrita nos dias atuais: "Fico rindo quando vejo o que as pessoas fazem durante a apresentação. Elas não sabem se comportar. Ficam no celular o tempo todo e eu digo a elas: 'Está tudo bem na internet? No Instagram? No Snapchat?'. Sou como um professor de colégio no palco. Queria saber por que as pessoas vão ao show para ficarem daquele jeito", desabafa George.

Com as pautas LBGTs sendo cada vez mais discutidas, é normal que Boy George, assumidamente gay (cê jura?), se posicione sobre o assunto em uma entrevista. O músico afirma que não chega a falar abertamente sobre o tema, mas declara: "Meu corpo é político".

"Nunca pude esconder que sou gay desde os seis anos. Fui chamado de garota, de queer, de 'coisa'. Então sempre estive consciente que o mundo é um lugar horrível. Acreditei e reproduzi isso por muitos anos, que o mundo não mudou nem um pouco. Agora, mudei meu discurso. Coisas maravilhosas acontecerem, muita gente abriu a mente e me sinto feliz por isso", finalizou.

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