Walkman faz quarenta anos saudado como revolucionário — mas antes, havia o 'egoísta'
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Walkman faz quarenta anos saudado como revolucionário — mas antes, havia o 'egoísta'

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Em 1º de julho de 1979, a Sony começava a vender o TPS-L2, inicialmente chamado de  Soundabout, logo rebatizado como walkman. Se não foi o primeiro toca-fitas portátil, chegou antes entre os aparelhos de cassete que não tinham a função de gravação como primordial. Era um aparelho para ouvir música — a partir de fones de ouvido. 

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Até então, os gravadores portáteis de cassetes eram usados principalmente por repórteres. Com seus novos fones de ouvido, o walkman foi projetado especificamente para a música. Segundo recente artigo do site americano “Stereogum”, o produto mudou o mundo e a forma de ouvir música, que, a partir de então, pôde ser carregada para todo canto, pela primeira vez.  

O texto ressalta que, nos anos que antecederam o walkman, não havia como ouvir música de forma privada em um local público — esquecendo que já existia radinho de pilha com uma saída para fone de ouvido.  Aparelhos japoneses transistorizados das marcas Spica e Mitsubishi, populares no mundo todo desde os anos 1960, já possibilitavam o desfrute individual da programação das emissoras, fosse musical, jornalística ou esportiva. No Brasil, aliás, o fone com saída única, em mono, era deliciosamente apelidado de "egoísta" e muito difundido entre torcedores, para acompanhar as transmissões de jogos de futebol e programas esportivos de rádio AM.     

Primeira versão do walkman pesava meio quilo e custava 200 dólares / Foto: Reprodução
Primeira versão do walkman pesava meio quilo e custava 200 dólares / Foto: Reprodução

A primeira edição do walkman pesava duplamente no bolso. O aparelho tinha cerca de meio quilo e custava 200 dólares quase R$ 770 pela cotação atual), de acordo com o “Stereogum”.  O aparelho fora projetado por Nobutoshi Kihara, coordenador do setor de áudio da Sony para Akio Morita (1921-1999), presidente da empresa, que queria escutar ópera durante o trabalho, a fim de relaxar um pouco da rotina desgastante. 

Apesar do alto preço inicial, Akio Morita apostou no novo produto e desafiou os executivos da Sony, que o contestavam: se o walkman não vendesse ao menos 100 mil unidades em seus dois primeiros anos de mercado, ele renunciaria ao cargo. Entre 1979 e 1981, o walkman vendeu 1,5 milhão de unidades, e Akio mostrou que sua aposta estava certa.

Akio Morita, então presidente da Sony, apostou no walkman / Foto: Reproduç
Akio Morita, então presidente da Sony, apostou no walkman / Foto: Reproduç

Vinha com dois conectores para fone de ouvido e um botão por onde as duas pessoas que ouviam em fones de ouvido podiam falar umas com as outras – ou cantar junto umas com as outras, em um microfone. Assim era o primeiro walkman, que depois se tornaria mais leve - e mais barato. 

Ignorando as décadas de uso do "egoísta" em radinhos, o "Stereogum" finaliza em tom maior de exaltação: “O walkman nos libertou. Nos permitiu fazer da música mais uma parte de nossas vidas, construir nossos próprios mundos sonoros privados. Foi uma invenção transformadora, uma das poucas que derrubaram completamente a maneira como ouvimos música”.

A mesma evolução tecnológica que possibilitou a criação do walkman levou ao seu fim, depois de MP3 e streamings tomarem conta do mercado. Em 2010, a Sony parou de fabricar o walkman e hoje crianças acham ridículo, nada prático, o aparelho quarentão – morto aos 30 e poucos. Mas a forma que ele criou de escutar música em qualquer lugar – sem precisar impor sua playlist aos outros – permanece. 

Enquanto isso, no mercado de relíquias, a primeira versão do walkman está valendo um bom de dinheiro online, segundo o  “Stereogum” , como peça rara, vintage. “Se você puder encontrá-lo por 200 dólares, é um bom negócio”, afirma o site. 

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