Willow: aos 18 anos, cantora brilha em viagem pop de autoconhecimento e deixa de ser a 'filha de Will Smith'
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Willow: aos 18 anos, cantora brilha em viagem pop de autoconhecimento e deixa de ser a 'filha de Will Smith'

Anos-luz separam musicalmente a Willow do single “Whip My Hair”, de 2010, da Willow de 18 anos que lançou o terceiro e autointitulado álbum no último dia 19 de julho. “WILLOW” apresenta de vez quem é a artista em constante descobrimento, levantando inquietações e questões filosóficas associadas aos nascidos no início dos anos 2000. Com instrumentais e vocais atmosféricos — também um tanto espirituais — acompanhados por uma série de pensamentos bastante contemporâneos, a musicista mostra, no novo trabalho, visões empáticas sobre padrões estéticos, saúde mental e sobre as próprias conexões e deveres consigo mesma e com o mundo.

Nascida no Dia das Bruxas — e, não à toa (para os que acreditam), sob a influência do Sol em Escorpião —, Willow trabalha com canções cheias de possibilidades de significados e difíceis de categorizar dentro de gêneros musicais específicos. Na linha de nomes da mesma geração como Billie Eilish, 17, e Lil Nas X, 20, a cantora une referências desde o neo soul de Erykah Badu ao trap do irmão Jaden sem deixar de imprimir a própria identidade. Coprodutora da obra ao lado de Tyler Cole, Willow faz parecer uma informação cada vez menos importante ser herdeira do sobrenome do casal de atores Will, 50, e Jada Pinkett Smith, 47.

Willow em vídeo de divulgação do álbum mais recente, toda ornamentada como um ser da floresta / Foto: Reprodução Instagram
Willow em vídeo de divulgação do álbum mais recente, toda ornamentada como um ser da floresta / Foto: Reprodução Instagram

Junto à mãe e à avó Adrienne Banfield-Norris, 65, Willow apresenta o programa "Red Table Talk" ("Conversa da Mesa Vermelha", em tradução livre), disponível no Facebook, em que temas de variados universos são debatidos sem julgamentos. Dentre diversas opiniões e exposições de ideias, a voz de "Wait A Minute" já revelou — em um dos episódios mais comentados — cogitar se envolver romanticamente com um homem e com uma mulher ao mesmo tempo. "Eu tenho tanto a aprender", disse sobre esse assunto, mas nitidamente também sobre todos os outros.

Reflexões como essa permeiam a geração de Willow e são apresentadas durante todo o álbum homônimo da cantora. Na faixa "PrettyGirlz", por exemplo, ela aborda a expectativa social de como deve ser o corpo feminino em contraponto às características de personalidade que ela mesma valoriza em mulheres. "Eles querem as garotas com quadris / Eles querem as garotas dos filmes", ela diz (em tradução livre) antes de seguir com: "Quero uma garota que conheça a si mesma / Como conhece a seu livro favorito na estante". O poder do feminino é questão recorrente para Willow.

Durante os 22 minutos do sucessor de “ARDIPITHECUS” (2015) e de “The 1st” (2017), diferentes momentos conseguem ganhar espaço. Em “Time Machine“, terceira faixa (e destaque do top cinco da artista no Spotify), Willow percebe o impacto do tempo e da tecnologia nos sentimentos humanos. “Todos estão olhando para os próprios telefones / Na tentativa de se sentir menos solitários / E eu estou aqui para dizer que estão errados”, canta.

Colecionadora de parcerias, ela já dividiu canções com SZA (“9”), Kid Cudi (“Rose Golden”) e Jaden (“U KNOW” e “Summertime In Paris”) — grande amigo e apoiador da irmã. Ao se permitir participar do trabalho de outros artistas e deixar que eles façam o mesmo, Willow passeia por múltiplas sonoridades e as faz dialogar entre si tal qual o faz com as temáticas das composições.

Willow durante apresentação em Chicago, nos EUA / Foto: Reprodução Instagram
Willow durante apresentação em Chicago, nos EUA / Foto: Reprodução Instagram

Demonstração de conexão profunda, a última música do álbum, “Overthinking IT”, traz a respiração forte de Willow e abre caminho para a bateria típica do hip-hop de Tyler The Creator e Kanye West: acústica e explosiva. A canção fecha o “WILLOW” e apenas reforça a viagem de autodescobrimento dividida pela compositora com o grande público.

Ainda há muito por vir do trabalho de Willow, mas já é possível perceber o quanto ele é uma das chaves do que a geração Z prepara para o futuro da música — e para o futuro de si mesma.

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