'YMCA', do Village People, e 'I Will Always Love You', de Whitney Houston, são consideradas patrimônio histórico pela Biblioteca do Congresso americano
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'YMCA', do Village People, e 'I Will Always Love You', de Whitney Houston, são consideradas patrimônio histórico pela Biblioteca do Congresso americano

Reconhecimento é isso: um dos maiores sucessos nas pistas de dança — e também um hino gay — foi imortalizado pelo governo dos Estados Unidos como patrimônio cultural e documento histórico. "YMCA", do Village People, é uma das obras que entraram para Registro Nacional de Gravação da Biblioteca do Congresso americano. Isso significa que será preservada para a posteridade por ser "cultural, histórica ou esteticamente importantes e/ou informar ou refletir a vida nos Estados Unidos", segundo os critérios da instituição.

O Registro Nacional de Gravação foi criado em 2000 e elege 25 títulos por ano que refletem a herança cultural dos Estados Unidos. A lista divulgada nesta semana é relativa ao ano de 2019 e, além de "YMCA", foram incluídos a versão de Whitney Houston para "I Will Always Love You"; o álbum "Fiddler on the Roof", trilha sonora do musical da Broadway de 1964; e o álbum de estreia de Dr. Dre, "The Chronic", com várias faixas que falam sobre maconha; e o reverenciado álbum de 1969 "Dusty in Memphis", da britânica Dusty Springfield, que tem a música “Son of a Preacher Man”, resgatada em 1994 por Quentin Tarantino para a trilha sonora de seu longa "Pulp Fiction".

O hit disco do Village People, do álbum "Cruisin", lançado em 1978, alcançou o primeiro lugar nas paradas de 15 países, incluindo o Reino Unido, embora tenha ficado em segundo lugar nos Estados Unidos. A música acabou sendo adotada pela comunidade LGBT como hino, mas Victor Willis (cantor e compositor, em parceria com o produtor Jacques Morali ) disse em uma entrevista ano passado para a "BBC 6 Music" que a música tem uma mensagem universal. "Era sobre o estilo de vida urbano da época em que eu frequentava a YMCA (no Brasil, Associação Cristã de Moços, com sedes em várias grandes cidades). Essa foi a minha interpretação. Eu não sabia nada sobre a vida de outras pessoas que iam lá", contou.

Quem ficou bem emocionado foi Jimmy Webb, que compôs "Wichita Lineman" em 1968. Foi a primeira gravação, a do cantor country Glen Campbell (1936-2017) em seu álbum do mesmo ano, que entrou para o registro. "Estou extremamente orgulhoso. Eu gostaria que houvesse uma maneira de dizer: 'Glen, você sabe que eles estão fazendo isso, estão colocando a música lá no alto!", disse Jimmy.

As canções de várias épocas e estilos não são os únicos registros imortalizados pela Biblioteca. Há também gravações faladas, como transmissão de jogos e discursos. Um dos escolhidos desse ano foi um episódio chamado "The Bathysphere" de "Arch Oboler's Plays", de 1939. O programa é considerado um dos primeiros programas americanos de rádio de terror.

Outro destaque, com aspecto bem dramático, é uma da Orquestra Sinfônica de Boston, feita ao vivo no dia do assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963. O maestro Erich Leinsdorf deu a notícia no meio do concerto e é possível ouvir os suspiros da plateia. Em seguida, a orquestra tocou a Marcha Funerária da Sinfonia nº 3 de Beethoven.

O Registro Nacional de Gravação já anuncia em seu site as inscrições para 2020. Qualquer pessoa pode enviar até 50 indicações, que são analisadas pelo bibliotecário do Congresso e pelo Conselho Nacional de Preservação de Gravação. Todas as indicações devem incluir o artista, título e nome ou número da gravadora para registros lançados ou uma descrição breve para gravações não publicadas e transmitidas. Além disso, devem incluir uma justificativa convincente que explique o significado cultural, histórico e ou estético do material sugerido.

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