Yoko Ono convoca público para tocar sinos pela paz em performance na Inglaterra
Inspiração

Yoko Ono convoca público para tocar sinos pela paz em performance na Inglaterra

Aos 86 anos, Yoko Ono, hoje indiscutível nome da arte conceitual, já alcançou sabedoria o suficiente para dizer que qualquer obra de arte, dependendo como seja percebida, afeta a todos. "Como este lindo céu que está hoje", exemplificou a viúva de Jonh Lennon, em entrevista por email, ao jornal inglês "The Guardian". Há tempos ela deixou de dar entrevistas pessoalmente. Neste 4 de julho, vai apresentar uma nova obra, com um tema que é permanente em sua vida: a paz. Ela está recrutando milhares de pessoas para tocar no "Bells for Peace", a atração que abre o Festival Internacional de Manchester, que acontece na cidade inglesa até o dia 21. O evento é gratuito e será transmitido pelo site do MIF.

A performance participativa será nos jardins da Catedral de Manchester, onde soarão badaladas de 4 mil sinos de cerâmica, feitos à mão para a ocasião. Os sons serão harmonizados com os de um enorme sino budista e sinos de igrejas antigas. Mas a ideia é que cada um traga seus próprios badalos para que o resultado seja ainda mais impactante.

"É nossa responsabilidade deixar espaço para a paz dentro de nossas vidas frenéticas e aceleradas em vez de esperar que ela chegue até nós. 'Bells for Peace' quer unir as pessoas em um único momento para pausar, refletir e recarregar nossas imaginações", explica Yoko, que diz que sempre quis fazer música com sinos. "Será um som pacífico, algo que é desesperadamente necessário atualmente", apela.


Yoko Ono: a paz é nossa respionsabilidade. Crédito: Getty Images
Yoko Ono: a paz é nossa respionsabilidade. Crédito: Getty Images

A nova obra da japonesa coincide com os 50 anos do "The Bed-Ins for peace". quando Yoko e Lennon passaram a lua de mel numa cama em Amsterdã cercados por câmeras. Nessa mistura de vida íntima com arte, o casal lançou sementes para as gerações seguintes de protestos pop, como o Red Wedge e o Live Aid. Hoje, Yoko soa mais tranquila: "Temos que confiar nas pessoas, incluindo você mesmo, não no governo. Os governos sempre têm burocracia, mas nossa imaginação, não".

Lennon e Yoko durante protesto pela paz em 1969
Lennon e Yoko durante protesto pela paz em 1969

Dois anos depois do protesto no hotel, Lennon lançaria "Imagine" - "uma campanha publicitária pela paz", segundo o então ex-beatle. A canção ganhou co-autoria de Yoko tardiamente, há apenas dois anos, quando foi comprovado que sua letra foi influenciada por trechos do livro "Grapefruit", escrito por ela em 1964.

Yoko foi alvo do ódio de fãs dos Beatles e críticas da imprensa por décadas, sendo apontada, inclusive, como pivô da separação do grupo. Mas se seu trabalho - que abrangeu algumas das artes feministas mais provocantes e originais da época - foi ignorado na época, hoje recebe a devida importância.

Reconhecida como grande artista conceitual, já teve retrospectivas internacionais nos mais prestigiados museus e galerias. O interesse por sua música gerou até uma reunião da Plastic Ono Band, que inspirou toda uma geração de grupos punks como o Sonic Youth. A artista performática Marina Abramović, o grupo de artistas feministas Guerrilla Girls e a cineasta e fotógrafa Sam Taylor-Johnson são outros nomes influenciados pelo trabalho de Yoko.

Yoko e sua Plastic Ono Band em apresentação de 2013, em Nova York. Crédito: Getty Images
Yoko e sua Plastic Ono Band em apresentação de 2013, em Nova York. Crédito: Getty Images

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