Yola, revelação da soul music, fala sobre nostalgia: 'Se você é negro não dá pra falar nos bons e velhos tempos'
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Yola, revelação da soul music, fala sobre nostalgia: 'Se você é negro não dá pra falar nos bons e velhos tempos'

Yola Carter, cantora inglesa nascida em Bristol, lançou seu primeiro disco solo, "Walk Through Fire", em fevereiro deste ano. O título do álbum, com produção de Dan Auerbach, do Black Keys, foi inspirado por uma experiência real da vida da artista de 35 anos. Enquanto estava em um relacionamento abusivo — da qual, felizmente, escapou —, sua casa foi incendiada. E, daí, ela renasceu das cinzas, como uma verdadeira fênix negra que anda através das chamas.

Em entrevista ao "Variety", Yola, considerada uma cantora de soul, disse que sua música está acima de qualquer gênero. "Danem-se os gêneros. Eu já superei isso", garantiu ela, uma entusiasta da música country, do rock n' roll, e de diversos ritmos da música negra feita durante os anos 1960 e 1970.

Antes de seguir carreira solo, a artista integrou a banda de country e soul Phantom Limb, na qual deu seus primeiros passos em direção à sonoridade que adota hoje. Graças aos anos que dedicou ao grupo, hoje ela desponta como uma revelação da cena inglesa, queridinha de Kacey Musgraves e de Sheryl Crow — Yola abriu o shows dessas cantoras em turnês recentes — e foi convidada para se juntar ao grupo country Highwomen — já falamos sobre elas aqui.

Outro grande feito da cantora em 2019, foi poder cantar ao lado do grande ícone feminino da música country americana, a diva Dolly Parton, de 73 anos, no Newport Folk Festival, nos EUA. "Eu era, sem dúvidas, a única pessoa negra do country naquele dia", contou. "Aquilo foi estranho, mas está bem."

Yola, enquanto mulher negra, não se sente estranha ao ser classificada como uma artista country, gênero constantemente associado a uma estética branca. Ela mantém um pensamento bastante positivo sobre a diversidade neste sentido: "Gostaria de ter a mesma liberdade que um homem branco. O Eminem, por exemplo, pode fazer hip-hop. Então, eu posso fazer o que eu quiser também".

"O mercado está aberto, pelo o que eu sei. Não tenho problema com pessoas diferentes cantando qualquer tipo de música. Por vezes, precisei abrir mão de alguns trabalhos lucrativos para poder honrar o que minha voz realmente faz. Não vou ficar presa nos gêneros que acham que eu deveria caber", completou a cantora, que já trabalhou como backing vocal de Adele e para o Massive Attack. "Ser cantora de apoio é uma das armadilhas para as pessoas negras. Outro tipo de armadilha é a de fazer dinheiro com algo que não é seu, não é sua praia, mas é lucrativo. Fico feliz que essa não tenha sido a minha escolha."

Por definição própria, Yola é o oposto de uma pessoa minimalista quando o assunto é música. "A harmonia é o amor da minha vida", falou. "Amo a estética dos Bee Gees, de Crosby, Stills, Nash and Young, dos Everly Brothers. Todas essas coisas que têm uma harmonia bem pensada. É isso que eu persigo."

Yola Carter durante uma performance em Londres, no dia 21 de junho de 2016/Getty Images
Yola Carter durante uma performance em Londres, no dia 21 de junho de 2016/Getty Images

Apesar de curtir muita coisa pré-anos 1990, Yola não se considera nostálgica. Em "Walk Through Fire", ela perseguiu uma sonoridade sem fronteiras, bebendo da fonte de seus artistas favoritos. Mas seu discurso, este é bem definido.

"Não sei como a nostalgia funciona para pessoas negras. Não sei desses bons velhos tempos bons anos do passado, quando você é preto não tem isso. Falando sobre música, sim. Mas socialmente, claro que não", criticou ela, em tom de bom-humor. "Estamos caminhando para um lugar melhor. Ao menos é o que espero."

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